Maria Isabela Barbosa Freitas Jesus nasceu em 1º de março de 2019, no Hospital Regional de Planaltina (HRP). Desde então, vem lutando para sobreviver e não conhece outro lugar que não seja o ambiente hospitalar.

Logo após vir ao mundo, foi internada em incubadora por apresentar graves problemas cardíacos e, da ala de internação pediátrica do HRP, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Sobradinho (HRS). A esperança da mãe, Eliene Aparecida Barbosa, é conseguir vaga para a filha no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF).

Enquanto via o estado de saúde da menina piorar e sem previsão de encaminhamento para a cirurgia indicada pelo corpo médico que cuida dela na unidade de Sobradinho, a mãe acionou a Defensoria Pública. Nessa sexta-feira (12/04/19), uma liminar foi concedida, dando o prazo de 48 horas para a Secretaria de Saúde (SES) providenciar a transferência. “Eu só peguei minha bebê nos braços pela primeira vez no dia 11 de abril”, emociona-se a mãe.

Na mesma situação de Maria Isabela, há outros quatro bebês cujas famílias conseguiram decisões judiciais para transferência ao ICDF. Todas as vagas da unidade estão ocupadas e só são liberadas mediante transferência, alta médica ou óbito. Quem define o paciente que irá ficar com a vaga é a central de regulação da SES, considerando o quadro clínico e a gravidade de cada caso.

Segundo a mãe, a menina nasceu com uma endocardite e suspeita de tumor, com indicação imediata para cirurgia. “O tratamento não vem surtindo efeito e ela piora a cada dia que passa. Não sei mais o que fazer, só a cirurgia pode salvar a vida da minha filha”, conta Eliene.

Moradora de Planaltina e mãe de outros quatro filhos, a dona de casa tem se dedicado exclusivamente aos cuidados com a caçula nos últimos dias. “Com três semanas de vida, a recém-nascida teve um edema pulmonar, falência de um rim e uma parada cardíaca. Ela foi reanimada, mas só vem piorando”, diz.

Eliene ainda espera a emoção de amamentar a quinta filha. “Ela estava sendo alimentada por sonda, mas desde quinta [11/04/2019] o organismo dela não está aceitando”, lamenta.

Outro lado
Por meio de nota, a SES informou que a menina é assistida por equipes médica e de enfermagem no HRS enquanto aguarda possível transferência para o ICDF. “Ela foi regulada para internação em leito de UTI com suporte cardiológico. Neste momento, não há vaga na unidade nem em outras instituições privadas”, diz a pasta.

De acordo com a secretaria, a Central de Regulação de Internação Hospitalar (Cerih) faz a busca ativa por um leito público ou privado 24 horas. “A vaga, no entanto, [é] dependente da vacância dos leitos dessas unidades, que ocorre mediante alta (por melhora clínica, óbito ou transferência de estabelecimento de saúde) dos pacientes que já os ocupam previamente”.

A pasta diz estar trabalhando para a abertura de novos leitos em seus hospitais e também dos contratados.

Por meio da assessoria de imprensa, o ICDF informou que todos os leitos estão ocupados e não há previsão de alta para os pacientes internados nas UTIs.