O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) instaurou, nesta sexta-feira (8/3), sindicância para apurar a morte de Fabiana Vieira dos Reis Bezerra (foto em destaque). A dona de casa de 35 anos perdeu a vida durante procedimento com o médico Eric Yin, no Centro Cirúrgico do Hospital das Plásticas, na SGAS 616, L2 Sul, na última segunda-feira (4/3). O caso também é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Segundo o CRM-DF, os trâmites correm em sigilo. Se for comprovado algum erro médico, o profissional pode receber penalidades que vão “desde advertência confidencial a cassação definitiva do registro profissional”.

O caso veio a público com o relato de Karine Martins Silva, amiga da vítima, feito no Facebook. Segundo ela, Fabiana Vieira compareceu à clínica do médico Eric Yin na última segunda para fazer uma lipoaspiração e uma abdominoplastia. No entanto, sofreu uma parada cardíaca no pós-operatório e não resistiu. Para ela, houve negligência do profissional.

“No momento da parada cardíaca, não tinha nenhum médico presente, somente enfermeiras. Nossa amiga Aninha Freitas, que foi acompanhar a Fabi, presenciou o desespero das enfermeiras ligando para os médicos”, disse na publicação.

A 1ª DP confirmou a morte e que a denúncia está em apuração. De acordo com a ocorrência, o procedimento foi realizado pelo cirurgião plástico e pelo anestesista. “Houve remoção de cadáver, com rabecão, e a perícia está sob responsabilidade do Instituto de Medicina Legal (IML).” O laudo do IML deve sair em pelo menos 30 dias.

Tanto o estabelecimento quanto a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) asseguram que o espaço possui licença sanitária válida, a qual foi renovada em fevereiro deste ano e vence somente em 2020.

No local, segundo a secretaria, podem ser realizadas cirurgias plásticas do tipo III e ambulatorial, que são atividades médico-ambulatoriais com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos, e clínica com realização de procedimentos cirúrgicos em ambiente não hospitalar.

Nas redes sociais, o filho da vítima, Thomas dos Reis, trocou a foto de perfil do seu Facebook para uma imagem da mãe e publicou uma mensagem para Fabiana (veja abaixo). Jeferson Bezerra, marido da vítima, também se manifestou. Ele compartilhou uma publicação com a foto da esposa e estes dizeres: “Não existe partida para aqueles que permanecerão eternamente em nossos corações”.

Segundo amigos de Fabiana, o procedimento cirúrgico custou R$ 18 mil e o dinheiro foi dado pelo marido após a venda de um lote.

Outro lado
Em nota, o Centro Cirúrgico do Hospital das Plásticas informou que a paciente “esteve todo tempo acompanhada por equipe médica completa, estando presentes o médico responsável pela cirurgia, o anestesista e, ainda, o médico plantonista”. “A equipe de profissionais não mediu esforços para reverter o quadro da paciente, sem, contudo, lograr êxito”, destaca o texto divulgado à imprensa.

O advogado Paulo Palhares, representando a unidade de saúde particular, disse que a afirmação feita pela amiga de Fabiana “não se sustenta”. “Ela foi acompanhada a todo momento, o hospital cedia o espaço para que o médico pudesse realizar suas cirurgias. Assim como outros profissionais também fazem”, explicou ao Metrópoles.

O centro cirúrgico disse estar “consternado com o ocorrido” e prestando assistência aos familiares de Fabiana. A direção do hospital aguarda o resultado dos laudos periciais para esclarecimentos adicionais.

A reportagem entrou em contato com a clínica de Eric Yin pelo telefone disponibilizado no seu site e foi informada de que o médico só irá se pronunciar quando o laudo do IML for emitido.