Bebês com problemas graves aguardam leitos de UTI no DF

Os pequenos Kauam Silva e Arthur Barteli estão internados em hospitais da rede pública e não há previsão de quando conseguirão vagas

A falta de estrutura na saúde pública do DF continua a fazer pequenas vítimas. Desta vez, são os bebês Kauam Silva, de 3 meses; e Arthur Barteli (foto em destaque), de apenas 13 dias. Ambos estão internados com condições graves em hospitais da rede pública, aguardando uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No entanto, os dois continuam sem previsão de conseguir leitos.

O pequeno Kauam está internado no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Ele nasceu prematuro, com 6 meses de gestação, e desde que veio ao mundo, nunca saiu da unidade de saúde. Há cerca de um mês, ele tem hidrocefalia, doença que pode alterar o formato do crânio e causar atrasos no desenvolvimento.

A mãe dele, Tainara Silva, de 19 anos, está preocupada: “Os médicos falaram que o quanto mais cedo a cirurgia foi feita, menor é o risco de sequelas. Se demorar, pode haver maiores problemas. Por isso estou correndo atrás”, afirma. No entanto, Tainara ainda não recebeu previsões sobre a cirurgia ou sequer sobre o leito de UTI que o filho aguarda.

Gama
Já Arthur nasceu com um problema cardíaco chamado transposição de grandes artérias, que compromete o bombeamento de oxigênio ao pulmão. Atualmente, o garoto está internado no berçário do Hospital Regional do Gama, onde nasceu, alimentando-se por sonda. Ele também aguarda um leito na UTI e uma cirurgia que possa corrigir o defeito.

“Ele corre risco de morte e pode ter uma parada cardíaca a qualquer momento”, diz, aflita, a mãe do bebê, Karina Barteli, 28 anos. Os pais já foram à Defensoria Pública do DF para entrar com ação judicial pedindo vaga na UTI. No entanto, até agora, o casal também não recebeu previsão.

Resposta do governo
Em nota, a Secretaria de Saúde do DF afirma que Kauam aguarda transferência para o Hospital de Base, “onde será atendido pela equipe da neurocirurgia, que já avaliou o caso. Até que surja a vaga, o paciente continuará internado no HRS recebendo todo atendimento necessário. A pasta destaca que tentará fazer esta transferência o mais rapidamente possível”.

Já sobre o caso de Arthur, a secretaria afirma que foi solicitada internação no Instituto de Cardiologia do DF (ICDF) para atender as necessidades do pequeno. “No entanto, até este momento, não surgiu vaga”, diz a nota.