Breu: iluminação precária no DF coloca em risco motoristas e pedestres. Veja vídeo
Vários pontos em que a iluminação pública é precária deixam quem precisa passar por esses locais com medo. Em 2025, foram 7 mil reclamações
atualizado
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Dia 9 de fevereiro de 2026, às 19h. Data e horário em que a reportagem do Metrópoles encontrou a balconista Rebeca Freitas, 26 anos, chegando a uma das paradas de ônibus da DF-095, conhecida como via Estrutural.
No começo, ela ficou receosa e demorou para atravessar a pista. E não era para menos, já que o local se encontrava, naquele dia, totalmente às escuras. Quando na parada, a trabalhadora contou um pouco sobre a sua rotina de medo.
“Trabalho na Cidade Estrutural há sete meses, saindo nesse horário, e sempre foi assim, convivendo com essa escuridão. É muito perigoso. Além de ser um horário em que poucas pessoas estão na parada, quase não há rondas policiais, e a falta de iluminação pública é constante. Considero isso um descaso muito grande”, disse a balconista.
Segundo Rebeca, essa escuridão faz com que, em algumas oportunidades, o ônibus que ela pega para ir embora não pare na rodovia – devido ao fato de o motorista não enxergar que tem alguém na parada ou, quando tem só um homem e uma mulher, por achar que pode ser alguém querendo assaltar.
“Ou seja, a falta de iluminação acaba causando uma sensação de insegurança tanto para quem está esperando o transporte público quanto para quem está dirigindo o ônibus”, ressaltou.
7 mil reclamações
A reclamação de Rebeca não é um fato isolado. De acordo com dados da Ouvidoria do GDF, no ano passado, foram 7.002 registros sobre o mau funcionamento da iluminação pública — aumento de 55,42% em relação a 2024, quando houve 4.505 reclamações.
O receio sobre paradas escuras, principalmente em rodovias que cortam o DF, foi confirmado por alguns rodoviários ouvidos pelo Metrópoles em uma parada de ônibus da BR-060, na altura de uma das garagens da empresa Urbi, outro local em que a escuridão predomina.
Motoristas e cobradores (que não quiseram se identificar) que estavam terminando o expediente relataram que, de fato, quando o local é isolado e/ou pouco iluminado a atenção é redobrada e o medo de que ocorra um assalto aumenta.
A reportagem também esteve em outros locais e constatou a falta de iluminação pública:
- BR-080 – o início, no sentido Brazlândia, está completamente apagado. Depois, os postes ficam apenas de um lado da pista e não dão conta de iluminar de uma maneira que dê sensação de segurança. Quase todas as paradas do trecho são mal iluminadas e estão rodeadas por matagais, principalmente no sentido Taguatinga;
- BR-070 – o trecho localizado na altura da QNH 11 está completamente escuro, causando insegurança e aumentando o risco de acidentes, como atropelamentos, por causa da baixa visibilidade;
- BR-251 e arredores do Complexo Penitenciário da Papuda – os dois locais ficam completamente às escuras, o que contribui para a insegurança e para o alto índice de acidentes. Não há nem postes de iluminação instalados.
Entre a luz e a escuridão
O Metrópoles encerrou a “blitz” no Setor Habitacional Tororó, situado na região do Jardim Botânico. Por lá, quando finalmente parecia que haveria uma região com plena iluminação pública, um local chamou a atenção.
Em um trecho que fica mais próximo da divisa entre o DF e o estado de Goiás, os postes até existem, mas parecem que nunca foram iluminados.
Pelo menos é o que afirma o atendente de uma loja de conveniência que fica de frente para o local. Lucas Teixeira, 30, trabalha no setor há 10 anos, e contou que a iluminação pública da região sempre foi deficiente.
“Para mim, que trabalho no período da noite, é muito ruim, pois traz uma sensação de insegurança. A gente nunca sabe quem está se aproximando do posto, porque os arredores ficam na escuridão. Sem contar que estamos rodeados por um matagal, o que piora a situação”, destacou.
Segundo Lucas, quem trabalha no posto durante o expediente noturno utiliza algumas estratégias para evitar esses locais. “Costumamos não ir até as paradas em que não há iluminação, além de monitorar a chegada dos coletivos e só ir até a parada quando o ônibus estiver perto”, comentou.
“Algumas vezes, chegamos ao ponto de perguntar para os clientes que abastecem no posto se eles estão indo para o mesmo sentido que o nosso, para pegar uma carona até algum local mais iluminado. Nunca cheguei a ser assaltado, mas já soube de algumas situações desse tipo, principalmente no período da noite”, relatou.
Respostas
À reportagem a CEB Ipes afirmou que furtos de cabos e vandalismos nos equipamentos são as causas da maioria dos “apagões” na iluminação pública.
De acordo com a companhia, a Via Estrutural, na altura da Cidade do Automóvel, recebeu 17 atendimentos entre dezembro e fevereiro. “A via tem sido alvo recorrente de furtos de cabos, o que compromete a prestação do serviço de iluminação pública, provocando pontos apagados e intermitência nas luminárias”, disse a CEB.
Na BR-080, a empresa afirmou há dois chamados abertos e que ambos foram incluídos na programação das equipes. “Os reparos nesse ponto são mais complexos e exigem intervenções técnicas mais elaboradas, o que demanda maior tempo de execução”, explicou a nota.
Segundo a CEB, em relação à BR-070, na altura da QNH 11, os reparos serão feitos “no menor prazo possível”.
Já a BR-060, em Samambaia, no trecho mencionado acima, a companhia afirmou que os problemas são causados por cabos rompidos durante escavações e furtos.
Sobre a BR-251 e as imediações da Papuda, a CEB comentou que se trata de uma obra de expansão da iluminação pública. “Para sua implantação, é necessário que a rede de baixa tensão esteja devidamente instalada pela distribuidora, além do desenvolvimento de um projeto de iluminação específico, a partir de solicitação da administração regional”, destacou.
Em relação ao trecho da DF-140, a empresa garantiu, mesmo a reportagem do Metrópoles verificando o apagão in-loco, que o local recebeu obras de iluminação em toda sua extensão.










