“Religioso até no sobrenome.” É assim que o guardador de carros Luiz Carlos de Jesus, 41 anos, se apresenta. Há mais de duas décadas, ele vigia e lava veículos na 109 Sul, mas o cuidado que tem com os automóveis não é a razão pela qual o flanelinha é conhecido. Duas semanas atrás, começou a anunciar para todos que “o fim do mundo está próximo”.

Evangélico e munido de uma Bíblia e cartazes proféticos, Luiz prega o início do período retratado no livro como “princípio das dores” – descrito como o momento marcado por “conflitos, rumores de guerras, revoluções, terremotos e ondas de fome e miséria”. Para ele, não existe uma data exata para a extinção da humanidade, mas “o começo do final acontece agora”.

Luiz diz que há quem passe pela quadra o chamando de maluco, mas, para esses, a resposta está pronta. Segundo ele, “Noé também foi chamado de doido. No final, quem desacreditou morreu”, conta.

 

Discípulos
Ao mesmo tempo em que alguns duvidam de sua história, o guardador também arregimenta “fiéis”. É o caso do vendedor Cléber Neves, 25 anos, que acredita no fim dos tempos, mas não sabe quando acontecerá. “Ele tem as razões dele e eu concordo. Todos sabemos que o mundo vai acabar, só não sei quando”, explica.

Outro discípulo das ideias é o guardador de carros João Paulo Silva. Ele se apresenta como “irmão de fé” de Luiz Carlos e defende a veracidade das afirmações do colega. “Ele fala a verdade. O que aconteceu na Síria é uma prova do que ele acredita. Já começou”.

João se refere aos recentes episódios de bombardeios da última sexta-feira (13/4), quando a capital do país, Damasco, foi atingida por inúmeras explosões, que alimentaram uma tensão política entre Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido.

Missão
Perguntado sobre sua motivação para fazer o anúncio diariamente, ele afirma que faz parte de sua “missão divina”. “Jesus disse que o evangelho deve ser pregado a toda e qualquer criatura. É para isso que estou aqui, para salvar quem crê na palavra”, explica.

O flanelinha diz não temer o fim da humanidade, pois, segundo ele, “quem tem fé não tem medo. Basta orar e vigiar. Esse é o caminho para a salvação”.