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O relator do caso de Marcelo Bauer, desembargador Roberval Belinati, afirmou ao Metrópoles que a prisão dele faz justiça ao “crime hediondo e bárbaro” ocorrido. Bauer foi preso na Alemanha, onde cumprirá pena de 14 anos de reclusão no Centro Penitenciário de Bayreuth. A Justiça brasileira o condenou pelo homicídio qualificado cometido em 1987 contra Thaís Muniz Mendonça, sua namorada à época.

“A prisão faz justiça ao crime hediondo e bárbaro que ele praticou ao matar a namorada com vários golpes de faca e disparos de arma de fogo. Espero que consiga se arrepender do mal que fez”, declarou o desembargador Belinati. Hoje, no Distrital Federal, o magistrado é ainda supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo.

Na época do julgamento, Belinati chegou a reduzir a pena de Bauer de 18 para 14 anos. O desembargador relembra que os advogados de Bauer tentaram anular o Tribunal do Júri: “Isso não foi possível, pois não houve nenhuma ilegalidade.” O caso foi julgado à revelia uma vez que Bauer se encontrava foragido. “A população ficou indignada com a violência do assassinato. Foi dos casos mais marcantes do DF”, recordou.

Há pouco mais de 31 anos, em 12 de julho de 1987, o corpo da jovem foi encontrado numa área de Cerrado próxima à 415 Norte, com cortes no pescoço, uma perfuração na cabeça e muito sangue no rosto. A estudante da Universidade de Brasília (UnB) havia desaparecido dois dias antes, após sair de aula do curso de letras.

Com a ajuda do pai – o coronel Rudi Ernesto Bauer, que atuava no Serviço de Inteligência da Polícia Militar do Distrito Federal –, fugiu do Brasil logo após cometer o crime.

Por ter cidadania alemã, Marcelo Bauer cumprirá a pena naquele país. Para o secretário adjunto da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI/MPF), Carlos Bruno Ferreira, o desfecho do caso é significativo.

“É uma grande vitória da Justiça e da cooperação internacional que, após mais de 31 anos do brutal homicídio de Thaís Mendonca, tenhamos conseguido na Alemanha a execução da pena para o assassino. É uma demonstração de que as distâncias físicas e de tempo não diminuem a persistência do Ministério Público em buscar a aplicação da lei penal aos culpados”, afirmou Ferreira.