Presidente do Conselho de Educação Física sobre Leila: “Uma decepção geral”

Patrick Aguiar comanda a unidade regional da entidade e disse não ter sido procurado pela senadora para auxiliar categoria na quarentena

Material cedido ao Metrópoles

atualizado 03/07/2020 16:58

Embora tenha comemorado a vitória de conseguir a reabertura de academias, estúdios e boxes de atividade física, o presidente do Conselho Regional de Educação Física (Cref-7), Patrick Aguiar, criticou duramente a senadora Leila Barros (PSB-DF), nesta sexta-feira (3/7), pela falta de interesse em ajudar o segmento durante a pandemia do novo coronavírus. A parlamentar é ex-atleta olímpica, foi secretária de Esportes do DF e levanta a bandeira no Congresso Nacional em apoio aos esportistas.

Durante entrevista concedida ao Metrópoles, o comandante regional da entidade questionou posicionamento recente da congressista, apoiada politicamente pela categoria, ao reprovar a reabertura das atividades, o que inclui as academias de esporte no Distrito Federal.

Pelas redes sociais, Leila disse considerar a decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) “preocupante, principalmente pelo número crescente de casos confirmados e a disponibilidade de leitos de UTI no DF”, escreveu. Ela chegou a solicitar reunião com o chefe do Executivo para tratar da decisão recente.

Para Patrick Aguiar, contudo, a declaração da senadora não levou em conta a infinidade de profissionais de educação física que permaneceram, durante toda a quarentena, sem remuneração, “sem contar aqueles que perderam os empregos com a onda de demissões”. Na internet, a categoria também disparou contra a parlamentar.

“A gente vive um momento difícil, eu consigo até entender a frase dela porque ninguém tem certeza de exatamente nada. O que eu não consigo e não vou concordar é por que a senadora não procurou o setor para saber o que precisávamos, sob quais estudos estávamos embasados para criar o protocolo de retomada das nossas atividades”, disse à coluna.

Segundo ele, “ser contra a reabertura é muito fácil. Numa visão fria, realmente é muito difícil de aceitar, se a gente se baseia no senso comum, que é a segurança da população. Mas quanto a gente que está aqui, convivendo com as pessoas que passam por grandes dificuldades, que perderam empregos, que não têm a quem recorrer, achei o posicionamento dela equivocado. Ainda mais vindo de alguém que ajudamos e eleger”, emendou.

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Atividade essencial

Aguiar lembra que, durante todo momento, a categoria tentou sensibilizar as autoridades sobre a importância da atividade física como forma de fortalecer o sistema imunológico da população, o que pode resultar em um quadro menos complexo do Sars-Cov-2.

“A questão é que não nos preocupamos apenas com nossos profissionais. Também há o cuidado com as pessoas que apresentam comorbidades, as quais necessitam de exercícios para conter os quadros das doenças. Elas precisam das atividades físicas e não estavam podendo fazer, deixando-as mais suscetíveis a essa doença”, indicou.

O líder do segmento lembrou que os profissionais de educação física, depois de muita conversa com integrantes do Palácio do Buriti, foram reconhecidos como essenciais durante a pandemia. “Estamos seguindo um protocolo muito rigoroso para atender a população. Se estivéssemos em funcionamento desde o início, poderíamos ter ajudado mais o governo no controle dessa doença no Distrito Federal.”

Coronavoucher

Patrick Aguiar também afirmou que, quando o auxílio emergencial foi criado e analisado pelo Congresso Nacional, a senadora Leila Barros incluiu apenas atletas como beneficiários.

“Foi uma decepção geral. Ela colocou os atletas, mas não colocou os profissionais de educação física. Tivemos que procurar o senador Romário (Podemos-RJ) para fazer esse reparo”, afirmou, ao se referir ao benefício vetado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele aproveitou para elogiar a atual secretária de Esporte, Celina Leão (Progressistas).

Aguiar apela ao segmento que, após tanta dificuldade, poderá voltar a trabalhar a partir da semana que vem. “Pedimos muita responsabilidade. É muito importante voltar, mas voltar com segurança. Estamos pedindo para que todos do nosso segmento sigam à risca os protocolos e que sejam realmente verdadeiros fiscais durante a retomada. É a saúde de todos que está em jogo”, finalizou.

O outro lado

A assessoria de imprensa da senadora Leila Barros enviou nota à coluna. O texto afirma que ela nunca se opôs à reabertura das academias e somente manifestou a preocupação em relação à flexibilização de diversas atividades, mesmo com o decreto de estado de calamidade pública .

“Conforme noticiado pelo Metrópoles, Leila e a bancada DF solicitaram reunião com o GDF para, entre outros assuntos, conhecer os dados que dão suporte à decisão tomada. É preciso ter segurança de que esse retorno em conjunto não irá piorar a crise sanitária. Leila mantém sua posição de cautela que foi externada em reuniões com o GDF, comerciantes, feirantes e entidades representativas, como a Fecomércio”, diz o comunicado.

A senadora afirmou que não pediu a extensão do auxílio emergencial aos educadores físicos porque a senadora Daniela Ribeiro já o havia feito, mas as emendas foram vetadas pela Presidência da República. Leila destacou que entende o papel do profissional e do esporte para a saúde física e emocional das pessoas. Por isso, propôs a obrigação de que as aulas de educação física sejam ministradas somente por profissionais devidamente habilitados. Por fim, apontou que ajuda no PL 2824/, do deputado Felipe Carreras, que “estabelece ações emergenciais para o esporte, entre elas um suporte financeiro para os educadores físicos”.

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