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Transformar um local marcado pelo abandono em um ponto encontro e colaboração. Com essa ideia, integrantes dos movimentos sociais Nossa Brasília e Coletivo da Cidade transformaram um posto policial abandonado na Estrutural em um “Bicicentro”. O objetivo é utilizar o espaço para o compartilhamento e conserto de bicicletas, veículo que serve como meio de locomoção para 40,8% dos moradores da região.

A falta de espaço motivou a iniciativa. O Coletivo da Cidade, que já é um projeto conhecido na Estrutural por realizar diversas ações de educação e cidadania com cerca de 200 crianças e adolescentes, recebeu uma doação de 30 bicicletas dos movimentos Nossa Brasília e Rodas da Paz. A pequena sede do grupo não tinha capacidade para abrigar todas as bikes.

Assim, inspirados pelo “Bicicentro” do Espaço Cultural Mercado Sul, em Taguatinga, os mentores do projeto pensaram em utilizar o espaço abandonado de um posto da Polícia Militar, localizado logo na entrada da cidade. Com a ajuda da Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Social do DF (Sedest-DF), conseguiram a liberação do espaço pela Secretaria de Segurança Pública.

 

No último sábado (7/5), os integrantes dos movimentos sociais fizeram um mutirão para limpar e organizar o espaço, que estava cheio de vestígios do antigo posto policial. Por enquanto, o serviço de compartilhamento de bicicletas já funciona para as mães de crianças e adolescentes que participam dos programas do Coletivo da Cidade.A ideia , no entanto, é ampliar o alcance do projeto.

Vamos fazer uma reunião com a comunidade para discutir uma forma de compartilhamento das bicicletas mais abrangente. Queremos contribuir com os moradores e ver quem está disposto a contribuir com a gente"
Djarlei Viana, integrante do Coletivo da Cidade

As oficinas de consertos de bicicletas, que já aconteciam esporadicamente na sede do grupo, agora vão ocorrer no novo endereço com frequência semanal ou quinzenal. A ideia é ainda utilizar o espaço para realizar eventos culturais que mobilizem a comunidade.

Estrutura
Apesar do grande número de pessoas que utilizam bicicletas na Estrutural, a segurança dos ciclistas da cidade ainda deixa muito a desejar. A região não possui sequer uma ciclovia, o que dificulta a disputa de espaço entre automóveis e bicicletas.

Segundo Cleo Manhas, integrante do Grupo de Trabalho de Mobilidade do movimento Nossa Brasília, “há um tempo já discutimos com os jovens da região sobre como melhorar a cidade e chega a ser injusto a diferença na infraestrutura entre a Estrutural, que tem mais habitantes, e a Cidade do Automóvel, que fica ao lado e é composta principalmente por lojas”.

Para solucionar essa questão, os movimentos sociais que atuam na área têm pensado em ações que aperfeiçoem a mobilidade, como o “Bicicentro”. Assim, aos poucos, vão melhorando a qualidade de vida da população e deixando marcas colaborativas por toda a cidade.