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Primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato ao Palácio do Buriti, Jofran Frejat (PR), foi incisivo ao revelar para o Metrópoles: desistirá da disputa se tiver que ceder a pressões que contrariem seus princípios. Aos 81 anos, se eleito, o médico não quer ter uma gestão que reproduza o clássico modelo “rainha da Inglaterra”, com um mandatário extremamente dependente de aliados e do Poder Legislativo.

Discreto, ele optou por não nomear quem seriam seus “calcanhares de Aquiles”, responsáveis por pressioná-lo ao ponto de ele ligar para presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto. Durante a conversa com o correligionário, anunciou a possibilidade de dar um fim, ainda na fase prévia, à corrida pela sucessão ao Governo do Distrito Federal em 2018.

Mas a reportagem do Metrópoles conversou com pelo menos 10 aliados do postulante a governador e todos foram unânimes: a indicação do nome para um vice na chapa majoritária e a antecipação de cargos para lotear uma possível gestão foram o estopim para o médico pôr em dúvida todo seu projeto eleitoral. No primeiro caso, a briga é entre os aliados de Frejat, o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (MDB).

O MDB é oficialmente o responsável por escolher um vice na chapa de Frejat, e o presidente da legenda no DF, Tadeu Filippelli, encampa o nome do deputado federal Roney Nemer (PP). Afastado dos holofotes políticos, mas ainda muito presente nas articulações do PR, o ex-governador Arruda quer o também federal Izalci Lucas (PSDB) como vice de Frejat. O cabeça da chapa, por sua vez, não quer nenhum dos dois. O pré-candidato refuta o nome de Nemer devido aos processos na Justiça que comprometem a participação dele na disputa.

Sobre o presidente do PSDB local, Frejat não fala expressamente. Mas, questionado se a decisão tinha alguma relação com a indicação do seu vice, o médico respondeu: “Parece que ninguém percebeu o que aconteceu com o país”, referindo-se aos desdobramentos da chapa composta por Dilma Rousseff (PT) e seu vice, Michel Temer (MDB), eleita para o Planalto em 2014. O desentendimento entre a dupla culminou com a petista sofrendo impeachment, e o emedebista assumindo a Presidência da República.

Lista de indicados
Outro fator de irritabilidade para o pré-candidato teria sido uma lista entregue a ele com nomes de quem ocuparia as secretarias de seu governo, caso fosse eleito. Frejat se recusou a aceitar. Questionado pelo Metrópoles se a pressão foi exercida por Arruda, o médico preferiu não personalizar.

Eu não me referi a ninguém. Em todo grupamento existe quem quer indicar este ou aquele. Vejo que há uma disputa grande pela vice-governadoria, pelas vagas ao Senado. E tudo isso faz parte da tentativa de entendimento. O que não dá é para a coisa chegar pronta. Se eu não vou decidir, os outros que vão definir por mim. E isso é o que eu não aceito. Tem que haver uma construção"
Jofran Frejat, em entrevista ao Metrópoles

Lei entrevista de Frejat ao Metrópoles na íntegra.

“Os políticos profissionais querem empurrar nomes goela abaixo. Sim, os aliados podem fazer indicações, mas de nomes que sejam ficha-limpa, honestos”, afirmou Laerte Bessa, correlegionário e apoiador de Frejat.

Procurados pela reportagem, nem Filippelli nem Arruda retornaram as ligações para comentarem a possibilidade de Jofran Frejat abandonar a corrida pelo Governo do Distrito Federal.

“Não quero cometer erros”
Com a afirmação de que não venderá a “alma ao diabo” em troca de apoio político, Frejat decidiu tirar o fim de semana para pensar. Logo após anunciar a intenção de deixar a disputa, nessa sexta-feira (13/7), ele optou pelo isolamento, e cancelou todos os compromisso da pré-campanha. “Estou em silêncio obsequioso”, disse ao Metrópoles. O afastamento, de acordo com ele, é para avaliar melhor o cenário. “Eu não quero cometer erros”, afirmou.

O ex-secretário de Saúde é claro quanto às razões que podem levá-lo à desistência da disputa eleitoral. “Não quebro quebrar meus princípios transformando minha candidatura em um balcão de negócios. Só me interessa continuar ao lado de pessoas que queiram resgatar Brasília, e não de quem está na política por interesses pessoais”, enfatizou.

Líder nas pesquisas de intenção voto, com 25,4%, Frejat disse que os resultados positivos aumentaram o assédio de aliados. “É muito difícil estar na liderança e tomar uma posição dessas. Mas ou fazemos a coisa correta ou não vale a pena continuar”, declarou.

A aposentadoria e a vontade de estar mais próximo da família também pesam, de acordo com o cirurgião. “Estou no meu conforto, poderia estar viajando, passeando, aproveitando um pouco a vida. Por isso, só vou continuar se valer a pena”, completou.

A quem favorece?
Uma possível desistência de Frejat pulverizaria os votos do líder nas pesquisas entre os demais pré-candidatos ao Buriti. Tiraria do páreo um adversário fortíssimo que Rollemberg enfrenta na sua meta de reeleição. Mas a tendência é que o movimento fortaleça candidatos que se apresentam hoje como via alternativa a Frejat e ao atual governador.