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Com 10 pessoas de olho na cadeira de governador do Distrito Federal, destacar-se não é uma tarefa fácil. Para se vender aos eleitores, os buritizáveis até combinam paletas de cores com personalidades e bandeiras defendidas por eles. 

Alguns se distanciam das cores de seus partidos. É o caso da mais bem colocada na pesquisa de intenção de voto Metrópoles/FSB, a ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (Pros). Ela tem utilizado principalmente o laranja – associado, por exemplo, a equilíbrio e energia – e o roxo, ligado à feminilidade e espiritualidade. Além disso, lança mão do branco, que representa proteção e pureza. Por outro lado, o azul, marcante na logomarca do Pros e associado à credibilidade e confiança, tem perdido a vez.

Coordenador do off-line de comunicação da campanha de Eliana, Fernando Lopes comenta que a intenção é justamente se diferenciar. Roxo e laranja são cores modernas e combinam com a história da candidata, de acordo com o marqueteiro. O roxo, por exemplo, conversa com as propostas da buritizável para a população feminina. “Se for uma coisa falsa, o público não vai comprar”, ponderou.

Governador em busca da reeleição, Rodrigo Rollemberg (PSB) opta por laranja e branco, mas também pincela o preto, associado à sofisticação e elegância. Há um objetivo por trás da escolha: a assessoria de Rollemberg informa que uniu o amarelo (relacionado à sabedoria e alegria), vermelho (ligado à paixão e força) e branco para criar o laranja. A cor representa o “desejo de unir Brasília e os brasilienses contra o consórcio que tenta – mas não vai conseguir – levar o Distrito Federal ao passado de desvios e corrupção”.

Os materiais de campanha do deputado federal Alberto Fraga (DEM) são ornados pelo azul, amarelo, branco e vermelho. O buritizável explica ter adotado as cores na primeira vez que se candidatou à Câmara dos Deputados, em 1998. “Azul, vermelho e amarelo são da Polícia Militar. Quando fui candidato pela primeira vez, foi a corporação quem me fez deputado”, destacou. A bandeira do DEM, por outro lado, tem, além do azul, o verde – relacionado à esperança e fertilidade.

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) Ibaneis Rocha (MDB) integra o time dos que se distanciam das cores das legendas. O advogado usa diferentes tonalidades, com destaque para azul, laranja e branco. Em contrapartida, o MDB sustenta o preto, amarelo, verde e vermelho.

A assessoria do candidato explicou que o azul é primordial porque é a “melhor cor para trabalhar em vídeo e fotos”. A escolha, de acordo com a equipe, foi feita levando em conta a “praticidade do uso para ressaltar o nome do candidato”. “Temos marcas em diversas cores, que podem ser alteradas de acordo com o objetivo”, acrescentou. Disse, ainda, que as nuances do MDB não ajudam no vídeo.

Rosa – que representa saúde e afetuosidade, por exemplo –, azul e laranja são marcantes na identidade visual da docente da Universidade de Brasília (UnB) Fátima Sousa (PSol). A assessoria da candidata pontuou que a cor mais valorizada, na verdade, é o branco, “para dar um tom leve, de tranquilidade, e que remeta subliminarmente à saúde, uma de nossas principais bandeiras, a área de atuação da candidata ao governo e o tema que mais preocupa os brasilienses atualmente”.

As cores do PSol, vermelho e amarelo, também são usadas por Fátima. “Temos uma paleta de cores ampla, que remete à diversidade, um dos motes da militância e de campanhas proporcionais importantes do partido”, disse.

Arte/Metrópoles

Fiéis às nuances do partido
O deputado federal Rogério Rosso, por outro lado, tem se mantido fiel às cores de sua legenda, o PSD. O buritizável reproduz em suas peças o azul, branco, verde e amarelo da bandeira pessedista.

O empresário Alexandre Guerra (Novo) também não abandona as tonalidades partidárias: laranja, azul e branco.

Da mesma forma age o economista Júlio Miragaya (PT), que prefere o tradicional vermelho, mas também utiliza branco, verde e amarelo. De acordo com a assessoria dele, roxo, laranja e verde foram escolhidos como cores auxiliares da campanha. A ideia, conforme detalhou a equipe, é se manter fiel à história de militância do PT, mas, ao mesmo tempo, representar a diversidade de pautas defendidas pela sigla, como as das mulheres, negros e LGBTs.

O general Paulo Chagas utiliza também as duas principais cores de seu partido, o PRP: azul e amarelo. O membro da reserva do Exército, porém, optou por trocar o preto, da legenda, pelo branco. A assessoria dele Chagas esclarece que a ideia é “remeter às cores da bandeira nacional”. Porém, o azul foi escolhido estrategicamente para contrapor o vermelho, tradicionalmente da esquerda. “Marcando, dessa forma, a posição do general: conservador e de direita”, acrescentou.

O professor Guillen (PSTU) também prefere as cores idênticas às de sua sigla: vermelho, amarelo e branco. O buritizável também lança mão do azul. “Não tem um motivo específico sobre o azul, somente a necessidade de usar uma cor básica para fazer contraste visual nos materiais”, esclareceu a assessoria. 

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) indeferiu todos os pedidos de registro de candidaturas do PCO, prejudicando a candidatura de Renan Rosa, postulante da legenda ao Governo do Distrito Federal. Cabe recurso.

As assessorias de Rosso e Guerra não retornaram o contato da reportagem.

Combinações e mensagem
O professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) Roberto Kanter observa: para obter sucesso na conquista do eleitor, é preciso fazer uma combinação entre candidato, personalidade, propostas, crenças e o que as cores subliminarmente representam.

Nem sempre a cor do partido é a melhor para o candidato. Com ela, é possível reforçar uma personalidade ou fazer o inverso: tirar o peso dela"
Roberto Kanter, professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV)

Segundo Kanter, se um candidato é conhecido por ter visão mais bélica e a ideia não é reforçar isso, o indicado é não usar vermelho, mas azul ou lilás, por exemplo, como forma de “contrabalancear” a imagem.

Para se analisar os efeitos das cores, é preciso levar em conta o papel delas em cada sociedade e a associação psicológica provocada, de acordo com o mestre em educação e docente do Centro Universitário Iesb Leniomar Morais.

Segundo o professor, dá certo trabalhar as cores em uma campanha eleitoral, desde que se observe certas características. “Tenho que saber o público-alvo, crenças e valores. A partir disso, vou determinar como e quais as cores vou utilizar”, pontuou.

No marketing, as cores são aplicadas, geralmente, para bens de consumo e não pessoas, aponta o pós-doutor em economia comportamental aplicada ao marketing e docente da UnB Rafael Porto. “O objetivo mais básico de uma cor é chamar atenção. Mas não é [isoladamente] a cor que vai influenciar o voto”, destacou.