Insatisfeita com baixa execução de emendas, base pede “carinho” do GDF

Além disso, os distritais aliados ao Buriti querem ter um trânsito maior com o secretariado do governador Ibaneis Rocha (MDB)

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/09/2019 12:54

Deputados que integram a base aliada do GDF têm reclamado da falta de diálogo com o secretariado do governador Ibaneis Rocha (MDB) e, principalmente, da baixa execução de emendas parlamentares. Na terça-feira (17/09/2019), durante sessão em plenário, o distrital Eduardo Pedrosa (PTC) tornou pública a insatisfação. “Ou o governo muda a postura com a base aliada ou não demora muito para ela virar oposição”, avisou. Os distritais cobram, ainda, cargos e maior atenção do GDF em relação às demandas deles.

Fiel nas votações da base, Pedrosa pede uma proximidade maior com o secretário-chefe da Casa Civil, Valdetário Monteiro. “Justamente por ser da base e defender as iniciativas do GDF na Câmara Legislativa, merecemos uma atenção maior, mais carinho. Afinal de contas, buscamos o Executivo para resolver demandas que recebemos da população, não são pedidos pessoais”, emendou.

De acordo com outro parlamentar, o discurso de Pedrosa foi articulado com outros integrantes aliados ao Buriti. “Eles não estão dando ouvidos às nossas demandas. Tem emenda de deputados que sequer são liberadas. A sorte do governo é não ter nenhuma pauta importante para ser votada, do contrário, a tendência é sentar em cima das matérias”, contou o governista.

O exemplo mais recente de desagrado da base é o projeto do Executivo local que flexibiliza regras de fiscalização para produtores da agricultura familiar. A minuta está parada nas comissões até que o governo chame os aliados para conversar.

As irritações, inclusive, serão tratadas na próxima reunião do Colégio de Líderes da Casa, de acordo com o segundo-secretário da Mesa Diretora, Robério Negreiros (PSD). Ele conduzia a sessão no momento das reclamações.

Emendas

A principal queixa, no entanto, é sobre a execução de emendas. Até o dia 18 de setembro, o Sistema de Controle de Emendas Parlamentares (Sisconep) aponta liquidação de R$ 51.185.442,97, de um total de R$ 453,7 milhões. Deputados dizem que o valor é baixo.

O secretário de Relações Parlamentares, Bispo Renato Andrade, explica que, na atual legislatura, as emendas começaram a ser liberadas a partir de agosto. “Para o volume de recursos que foram liberados, o valor é grande. Tenho explicado aos deputados que liberação é diferente de execução. Para todas as emendas, eu sento com o secretário de Fazenda, André Clemente, e analisamos. Para isso, o deputado precisa mandar um ofício para o órgão. Daí, questionamos se o órgão terá ou não condições de executar. Sendo a resposta positiva, mandamos o recurso”, justifica Bispo Renato.

As reclamações não apenas da base. Na opinião do líder da Minoria na Casa, deputado Fábio Felix (PSol), o governo desqualifica todo o Legislativo quando não manda representantes para participar das audiências e debates promovidos. Ele considerou “grave”, também, o fato de as secretarias não responderem aos pedidos de informação.

“Estou passando pelo mesmo problema. Não conseguimos ter acesso a muitas informações, para fazer o trabalho de fiscalização”, reclamou a deputada Júlia Lucy (Novo), que defendeu um ato formal da Casa para resolver a situação.

Outro parlamentar que teceu críticas à postura do alto escalão do governo foi o deputado Daniel Donizet (PSDB). “Tem secretário que acha que é Deus e nem atende deputado, que foi eleito democraticamente”, disse.

Para o deputado Professor Reginaldo Veras (PDT), a convocação de secretários para esclarecer as informações necessárias e dar explicações pode ser uma forma de mudar o comportamento do governo em relação ao Legislativo local.

Apaziguador

Com projetos de peso para serem apreciados pela Casa, como o PLC que altera as regras de construções no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), a missão de apaziguar a situação está a cargo do líder de governo na CLDF, Claudio Abrantes (PDT).

“De fato, a Câmara Legislativa está em um momento de problemas com o governo e vamos dirimi-los com diálogo, fazendo com que os secretários sejam os primeiros a defender, em parceria com os deputados, os interesses da população”, afirmou Abrantes.

Quanto aos entreveros entre o secretário Valdetário Monteiro e o deputado Eduardo Pedrosa, o chefe da Casa Civil classificou o episódio como um “desencontro”.

“Houve um desencontro com o deputado, porque o governador foi doar sangue conosco. Foi só um desencontro de horários. Em relação à Casa Civil, todos têm porta aberta. Acredito que seja importante os secretários atenderem aos deputados”, defende-se Valdetário Monteiro, dizendo ter recebido, apenas nessa quarta-feira (18), oito distritais.

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