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Eleito no último dia 28 de outubro, com 69,79% dos votos válidos, para governar o Distrito Federal a partir de 2019, Ibaneis Rocha (MDB) terá um cenário favorável no fim deste ano na Câmara Legislativa. Com dois terços dos deputados distritais se despedindo de seus mandatos – dos 24, apenas oito se reelegeram –, o clima é de cooperação.

Uma “base” do futuro governo, ainda que temporária, desenha-se para realizar possíveis alterações no orçamento do próximo ano. Nem possíveis opositores pretendem criar dificuldades ao emedebista. Correligionária do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), derrotado na tentativa de reeleição, Luzia de Paula garante que não vai atrapalhar as pretensões do novo chefe do Executivo.

“A quem perde cabe aceitar a derrota. No Legislativo, meu compromisso é com a cidade, independentemente do resultado das eleições. Então, o que for bom para a população, tendo lastro financeiro, vamos aprovar”, garante Luzia.

A matéria de maior interesse de Ibaneis é o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2019. O texto dará o norte do primeiro ano de governo do advogado, uma vez que define como deverão ser aplicados os recursos locais.

Apesar da facilidade, o distrital Reginaldo Veras (PDT) faz um alerta ao governador eleito. Segundo ele, não adianta o futuro gestor conversar apenas com o Legislativo local. Os “russos” também precisam estar a par do que a próxima gestão pretende fazer com o orçamento, diz.

“Não adianta combinar apenas conosco. As mudanças precisam vir primeiro do governo que está aí”, destaca Reginaldo. “Acredito que Ibaneis não terá dificuldades. Ele tem uma base formada por aqueles que já estavam com ele nas eleições e deve ter o apoio de outros deputados até o fim do ano.”

Renato Andrade (PR) destaca não ter apoiado o emedebista nas eleições, mas acredita na necessidade de se formar um grupo em torno da governabilidade. “É possível e necessário para dar condições de o novo governador trabalhar com tranquilidade, mas eles precisam ter responsabilidade com o que vão aprovar”, aponta o deputado.

Oposição
Mesmo antes do início do governo emedebista, Chico Vigilante (PT) se declarou oposição responsável. “Rollemberg nunca teve base na Câmara Legislativa e sempre teve que dar algo em troca. Agora, Ibaneis está dizendo que não vai aceitar indicação de deputado para as administrações. Vamos ver que base ele terá”, desafia.

Tem muita gente que perdeu as eleições que agora quer uma vaga no governo dele e deve votar o que ele pedir"
Chico Vigilante, deputado distrital

Eleitos para a Câmara dos Deputados, os ainda distritais Julio Cesar (PRB) e Israel Batista (PV) colocaram-se à disposição para ajudar o novo governador. Nas últimas eleições, eles estiveram ao lado de adversários do emedebista.

“O sentimento que se tem aqui na Casa é diferente do que se via, em 2014, em relação a alguns projetos, como a Luos [Lei de Uso e Ocupação do Solo], que pediam para retirar de pauta. Agora, o próprio Ibaneis quer ver o PL [projeto de lei] votado”, analisa Julio Cesar.

Israel e seu partido apoiaram Rollemberg na disputa eleitoral. Ainda assim, ele diz não ser hora de revanchismos. “Vamos olhar para frente, em prol da cidade”, resume o federal eleito.

Outro correligionário do socialista, Juarezão acredita que Ibaneis possa ter deputados a seu favor nesta legislatura. De despedida do cargo, o distrital mostrou-se chateado com o emedebista. “Não sei o que ele [Ibaneis] precisa que se vote aqui, porque ele não me procurou.”