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A disputa rumo às eleições começou para valer. Com a propaganda eleitoral autorizada a partir desta quinta-feira (16/8), os candidatos iniciam a temporada de eventos políticos com direito a comícios, passeatas, distribuição de panfletos, divulgação de jingles e outros recursos com a finalidade de conquistar eleitores.

Os partidos tinham até as 19h de quarta (15) para apresentar requerimento do registro de candidatura nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), segundo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Distrito Federal, 11 nomes enviaram a solicitação para disputar o cargo de governador.

Dada a largada, os candidatos vão apostar no velho corpo a corpo, mas também não deixarão de lançar mão das possibilidades oferecidas pela internet. Os buritizáveis têm equipes para apoiá-los na campanha.

A estratégia dos candidatos ao GDF
O deputado federal Alberto Fraga (DEM) afirma que tentará atrair mais eleitores pessoalmente, em uma estratégia para explorar sua imagem. Coronel da reserva da Polícia Militar, ele está no quarto mandato na Câmara dos Deputados.

Acho que a internet, apesar de ser um bom instrumento, não traz a realidade. Quero que o povo olhe no meu olho e faça as perguntas”, ponderou. O comitê de Fraga está instalado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

O também federal Rogério Rosso (PSD) diz que manterá constantes conversas com lideranças comunitárias e representantes de diversos setores da sociedade. “Será sola de sapato, disposição para ouvir bastante, dialogar com os segmentos mais importantes e interagir nas redes sociais”, comentou. Além de montar um comitê central também no SIA, o candidato afirma ter “apoiadores voluntários” em todas as Regiões Administrativas.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) Fátima Sousa (PSol) terá um “QG”, localizado na sede do partido, no Setor Comercial Sul. Para a candidata, o corpo a corpo é importante para quem dispõe de pouco tempo de rádio e TV, além de contar com menos recursos partidários que os adversários. “Vamos massificar o olho no olho e usar as mídias sociais para tentar diminuir essa desigualdade que foi imposta pelos velhos partidos”, destacou.

As redes sociais podem não ser protagonistas na campanha de todos. A ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (Pros), por exemplo, declara “acreditar no contato com as pessoas”. “É óbvio que eu tenho uma equipe de assessoria de imprensa. Mas o olho no olho é insubstituível”, pontuou. Segundo a assessoria de Eliana, haverá um comitê em cada Região Administrativa.

Sozinhos
Na contramão das coligações majoritárias, Novo, PSTU, PT e PCO optaram por enfrentar sozinhos os adversários, na maioria com número superior de representantes na Câmara Federal e, consequentemente, os que dispõem de mais tempo de rádio e TV e com mais verba pública.

O empresário Alexandre Guerra (Novo) investe nas redes sociais e pretende usá-las como ferramentas durante toda a campanha. “Realmente, é uma eleição que é o novo contra o velho. Dessa vez, será a disputa entre proposta séria e baseada no que as pessoas precisam contra tempo de TV e cabo eleitoral comprado.”

Também sem coligação com outros partidos, o professor Antônio Guillen (PSTU) afirma pretensão de buscar os bairros populares. O plano, de acordo com ele, é fazer panfletagem, “agitações” e rodas de conversas. “Vamos procurar os setores sociais que têm mais a ver com o nosso programa que é de questionamento da ordem do capitalismo”, disse.

O bancário Renan Rosa (PCO) declara que já está nas ruas. Embora dispute um cargo regional, a campanha ao GDF, segundo Rosa, “será em torno de garantir Lula como candidato dos trabalhadores à Presidência da República”.

A reportagem não conseguiu contato com o governador e candidato à reeleição, Rodrigo Rollemberg (PSB); o economista Júlio Miragaya (PT); e o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) Ibaneis Rocha (MDB).

Solicitaram o registro de candidatura à Justiça Eleitoral 954 cidadãos interessados em concorrer à Câmara Legislativa (CLDF) e 182 à Câmara dos Deputados. Além disso, há 19 postulantes ao Senado no Distrito Federal.

E agora?
Passado o período para solicitação de registro de candidatura, a Justiça Eleitoral confere os documentos, faz os registros e publica um edital. “Não há prazo determinado para isso, mas é rápido, coisa de poucos dias”, observou o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, Bruno Rangel Avelino.

De acordo com o advogado, a partir da publicação do edital com os nomes dos candidatos que fizeram o pedido, iniciam-se dois prazos. “O primeiro, de dois dias, para que os candidatos eventualmente não registrados pelo partido (embora escolhidos em convenção) peçam o registro individual e o segundo, de cinco dias, para eventuais impugnações ao registro de candidatura”, explicou.

O que vale
A partir desta quinta (16) é permitido, de acordo com a Resolução nº 23.555 do TSE:

– Propaganda eleitoral;
– Uso de alto-falantes ou amplificadores de som, em sedes ou em veículos, das 8h as 22h;
– Comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa, das 8h às 24h, podendo o horário ser prorrogado por mais duas horas quando se tratar de comício de encerramento de campanha;
– Propaganda eleitoral na Internet, vedada a veiculação de qualquer tipo de publicidade paga;
– Até as 22h de 6 de outubro poderá haver distribuição de material gráfico, caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos, observados os limites e as vedações legais;
– Até 5 de outubro serão permitidas a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na Internet do jornal impresso, de até 10 anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, para cada candidato, no espaço máximo, por edição, de um oitavo de página de jornal padrão e de um quarto de página de revista ou tabloide.

Os candidatos precisam ficar atentos às mudanças. “A utilização de placas, faixas, cavaletes, bonecos e envelopamento de veículos, por exemplo, estão vedados”, destacou Bruno Beleza, especialista em direito eleitoral do escritório Nelson Wilians Brasília.

Agendas
Candidatos começam a campanha com agenda agitada. Alberto Fraga tem reunião com pastores no Guará às 10h e dois almoços previstos: o primeiro, às 12h, será com militares da reserva; e o segundo, às 12h45, com bombeiros.

Guillen apostará em eventos nas ruas. Nesta quinta (16), participará de panfletagem na Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) às 6h30 e mais uma rodada de distribuição de panfletos às 11h30 no Restaurante Comunitário da Estrutural.

Rollemberg inaugura o período de propaganda com uma caminhada no Trecho 1 do Sol Nascente, às 9h. Às 22h participa do debate com adversários na TV Band Brasília.

Também nesta quinta (16), Alexandre Guerra fará, ao lado de correligionários, a entrega de um cheque simbólico de R$ 3,6 milhões acumulados no fundo partidário do Novo. O ato político será em frente ao Congresso Nacional, às 11h. Depois, o grupo segue para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Renan Rosa concederá entrevistas em rádios pela manhã. À tarde se encontrará com membros do partido para organizar a ida a uma conferência nacional a fim de definir o programa da sigla para as eleições.

Fátima Sousa guiará uma marcha com direito a minicomício e panfletagem na sexta (17), no Setor Comercial Sul, a partir das 15h30. Ainda se recuperando de uma gripe, nesta quinta (16) a candidata se prepara para o debate. Miragaya tem agenda das 9h às 22h, incluindo o evento televisivo da noite.

Ibaneis Rocha fechou a agenda do dia a fim de se organizar para o debate. Rogério Rosso participa de algumas reuniões e em seguida pausa também com o objetivo de se preparar para a troca de ideias.

As assessorias de Eliana Pedrosa, de Paulo Chagas e de Júlio Miragaya não haviam informado a agenda dos postulantes até a última atualização deste texto.