Com Buriti na mira, alianças esvaziam bancada de Rollemberg na CLDF

Decisão de partidos de apoiar determinadas pré-candidaturas forçará distritais a deixarem base governista para trabalhar por outros projetos

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 14/07/2018 19:05

Se depender exclusivamente das composições partidárias, a governabilidade de Rodrigo Rollemberg (PSB) poderá ficar comprometida até o fim do ano. Mesmo com a ameaça de Jofran Frejat (PR) desistir da pré-candidatura ao Palácio do Buriti, o PHS já anunciou que não estará no mesmo palanque do atual chefe do Executivo local. A decisão atinge diretamente mais um integrante de base governista do socialista: o deputado distrital Lira (PHS).

Outras legendas já haviam anunciado a saída da base governista na Câmara Legislativa por decidirem seguir outros caminhos durante a corrida eleitoral do DF. Entre eles, o PRB, a Rede, o Pros e o próprio PR, o qual atualmente polariza com Rollemberg na liderança da disputa ao Palácio do Buriti deste ano.

O Metrópoles levantou que, com os caminhos praticamente desenhados pelas siglas no DF, em tese o governador teria apenas quatro deputados formais integrando sua base de apoio na Câmara Legislativa. Na prática, contudo, o político mantém pelo menos seis distritais, o que representa 25% das cadeiras do Legislativo local.

No atual cenário, Rollemberg conta apenas com seis votos fiéis. Além dos dois integrantes do PSB – Juarezão e Luzia de Paula –, o gestor computa fidelidade do professor Israel Batista (PV) e também de outros nomes que, apesar de integrarem legendas com outros projetos eleitorais, devem manter apoio ao governador: Agaciel Maia (PR), Telma Rufino (Pros) e Cristiano Araújo (PSD).

Líder de um, correligionário de outro
Filiado ao partido, o líder do governo na CLDF, deputado Agaciel Maia, é uma exceção. Em acordo com o comando regional da sigla, o parlamentar deve permanecer como fiel escudeiro do socialista no Legislativo local até o fim do ano. Apesar disso, não se negará a integrar a campanha de reeleição na chapa encabeçada por Frejat. Procurado, o distrital não retornou as ligações da reportagem.

Até então filiada ao Solidariedade, a deputada distrital Sandra Faraj deixou a sigla e foi acomodada no PR. Ela chegou a defender os interesses do governo e a indicar cargos na estrutura do GDF, mas agora terá de levantar a bandeira pela eleição de Frejat, atual líder das pesquisas eleitorais.

Ex-aliado da gestão Rollemberg, o deputado distrital Julio Cesar também deixou de integrar a bancada de apoio do atual governo após o PRB declarar independência e passar a flertar com possíveis concorrentes do socialista nas urnas. Com ele, levou o também distrital Rodrigo Delmasso, que era filiado ao Podemos, mas decidiu também migrar para a legenda da Igreja Universal do Reino de Deus.

Majoritária cria constrangimentos
Telma Rufino também ocupava lugar nas fileiras dos defensores do governador. Filiada ao Pros, a distrital agora passa a ter candidatura própria ao Palácio do Buriti: a ex-deputada Eliana Pedrosa. Apesar da resistência em deixar a base de apoio, Rufino diz que seguirá “a orientação do presidente do partido”.

Caçula do ex-governador Joaquim Roriz, Liliane Roriz também é filiada ao partido e, com familiares, levou o peso do sobrenome para a campanha de Pedrosa. Até então, apesar de se posicionar como “independente”, Liliane costumava acompanhar o governo nas votações da CLDF.

Outra perda prevista para Rodrigo Rollemberg é o deputado distrital Lira. Com o recente apoio declarado do PHS à campanha de Jofran Frejat, o parlamentar terá de levantar a bandeira da mudança no comando do Palácio do Buriti, mesmo que continue na bancada de sustentação do atual governador.


Fisiologismo
Para o cientista político e professor universitário Aurélio Maduro de Abreu, a movimentação que ocorre no Distrito Federal é reflexo do que é ensinado pelo Congresso Nacional. Segundo ele, existe uma tradição dos políticos se reaproximarem do eleitorado em período no qual necessitam do voto para renovar o mandato.

“Tradicionalmente, o segundo semestre é praticamente morto no Legislativo. Nessa época, é natural que o deputado deixe de ter compromisso com os governantes e passe a votar projetos exclusivamente para agradar os eleitores, principalmente aquelas chamadas ‘pautas bomba’. Logo após as eleições, os partidos voltam a se aglomerar na órbita de quem tem poder”, avaliou.

Abreu acredita que a falta de fidelidade ideológica auxilia na movimentação interesseira das bancadas partidárias, o que tende a causar problemas ao atual governador na aprovação de projetos do Executivo.

“Esse é o problema atual da política. A falta de alianças programáticas e o excesso das aproximações fisiológicas estão impactando também no eleitorado, que passou a rejeitar os políticos como um todo”, observou Abreu. “Cabe frisar que, nesta época, é montado um grande jogo eleitoral especificamente para se pedir votos. Depois de passadas as eleições, os mandatários voltam a se aglutinar em busca de interesses”, pontuou.

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