Candidato à CLDF, Henrique Ziller pode ficar fora da corrida eleitoral

Pedido de afastamento das funções públicas foi apresentado pelo auditor ao TCU após o prazo estipulado pela Justiça Eleitoral

Agência BrasíliaAgência Brasília

atualizado 15/08/2018 12:16

O ex-controlador-geral do Distrito Federal Henrique Ziller (PSB) corre o risco de não conseguir o registro para concorrer à Câmara Legislativa. Auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), o postulante a deputado distrital apresentou ao órgão de origem pedido de afastamento oficial do cargo apenas no dia 11 de abril de 2018, cinco dias após o encerramento do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral.

Na prática, o postulante teria o prazo até 6 de abril deste ano, motivo que o faz ser enquadrado dentro dos critérios de inelegibilidade da Justiça Eleitoral. A desincompatibilização é requisito obrigatório para quem ocupa funções públicas e pretende concorrer a cargos eletivos.

No caso de Ziller, que comandava a Controladoria-Geral do DF e é auditor de carreira, o entendimento é o afastamento das funções seis meses antes do pleito eleitoral. Ele está afastado pelo TCU, mas recebe a remuneração integral do cargo.



Reprodução / TCU

Reincidência
Não é a primeira vez que Henrique Ziller passa por essa situação. Em 2014, pelo mesmo motivo, o auditor federal de controle externo teve de recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) para reverter a impugnação e garantir o direito de ser candidato. Apesar disso, os integrantes da Corte permitiram o direito a Ziller disputar as eleições.

O socialista alcançou pouco mais de 7 mil votos e não conseguiu conquistar uma cadeira no Legislativo distrital. Ziller ficou em 49º lugar na lista dos mais votados para o cargo.

Procurado, o ex-controlador-geral do Distrito Federal não atendeu e não retornou as ligações da reportagem.

Buritilão
Ex-controlador-geral do DF, o nome de Henrique Ziller foi mencionado por alvos da Operação (12:26) por, supostamente, encobrir uma medida considerada irregular. Nas interceptações feitas pela Polícia Civil com autorização da Justiça, o delegado Haendel Fonseca — então chefe de gabinete da Secretaria de Justiça e Cidadania — dá a entender a Manoel Moraes — que ocupava a Coordenação de Assuntos Funerários da pasta — que Ziller agiria auxiliando um possível esquema para postergar o contrato de ampliação do Complexo Penitenciário da Papuda.

No diálogo, os dois servidores insinuam que a estratégia seria para beneficiar o consórcio formado pelas empresas Triunfo e Iesa Infraestrutura S/A. A empreiteira é doadora oficial da última campanha do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em 2014. A medida, portanto, seria uma espécie de retribuição à ajuda da construtora.

Segundo Fonseca, a irregularidade poderia ser forjada por parecer elaborada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). No caso de questionamentos — garantem nas gravações —, haveria a possibilidade de o então controlador-geral resolver “o problema”. A estratégia para o cumprimento do suposto acordo mereceu o desdém de Manoel Morais, que, segundo afirmou, “se fosse ficar só na Controladoria do DF, o Ziller conseguiria acobertar, mas tem Polícia Federal, Polícia Civil, TCU, envolvidos com vários outros órgãos”.

 

Últimas notícias