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Show de bandas sertanejas ou de rock pesado. Partidas de futebol do Brasileirão, das Olimpíadas, jogos de vôlei, lutas, teatro ou atrações infantis internacionais. Não importa o evento, um “eclético” grupo de falsários está a postos para lucrar à custa da diversão alheia. A quadrilha, investigada pela Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), possui ramificações em outros estados e chega a faturar R$ 30 mil com os golpes em um único evento.

Durante os jogos do Brasil nas Olimpíadas que ocorreram no Estádio Nacional Mané Garrincha, os estelionatários também agiram. Compravam os ingressos dos torcedores que já estavam dentro da arena e adulteravam os bilhetes com a data e os jogos seguintes.

“Eles abordavam os torcedores e ofereciam algo em torno de R$ 10 pelos ingressos. Em seguida, usavam uma máquina para apagar os dados e inserir as informações do jogo seguinte. Claro que quem comprava o ingresso ficava barrado na catraca quando a leitora não identificava o código de barras”, explicou uma fonte da Corf ouvida pelo Metrópoles.

As investigações apontam, ainda, que criminosos de outros estados teriam conexão com a quadrilha brasiliense e forneceriam máquinas e conhecimento tecnológico para produzir os ingressos falsos em larga escala. “Eles não faturam tanto com o cambismo, mas com a venda desses bilhetes fraudados. Imagina vender 250 ingressos para um grande show cobrando cerca de R$ 150 por cada um. O prejuízo para os compradores é enorme”, explica um investigador.

Policial envolvido
Em 6 de junho deste ano, um sargento da Polícia Militar lotado no 8º Batalhão (Ceilândia) chegou a ser preso pelos investigadores da Corf por envolvimento com a quadrilha. O militar foi flagrado com 12 ingressos falsos de uma festa que ocorria no Iate Clube.

Além do policial, uma pessoa que já havia sido detida durante a Copa do Mundo de 2014 com bilhetes falsificados, na porta do Mané Garrincha, acabou detida novamente. Todos eles serão acusados de associação criminosa e tentativa de estelionato.

Segundo a polícia, no início da festa, o grupo vendia os ingressos por valores superiores aos da bilheteria. Depois, passavam a vendê-los pelo preço oficial. Por fim, já com a festa em andamento, davam desconto.

Ao Metrópoles, a administração do clube informou que os seguranças detectaram a ação dos cambistas e a polícia foi acionada. Segundo o Iate, como a venda dos ingressos foi feita exclusivamente na bilheteria da instituição, foi fácil verificar que as entradas estavam sendo falsificadas.

Por meio do Centro de Comunicação Social (CCS), a PM informou que, no caso do policial envolvido com o esquema criminoso, a corporação abriu uma sindicância interna para apurar os fatos. Caso fique comprovada a participação do militar, ele poderá ser expulso e perder o cargo público.

Na manhã deste domingo (4/9), vários cambistas foram vistos vendendo ingressos para o jogo de vôlei entre Brasil e Portugal. Há suspeitas de que parte dos bilhetes possam ser falsos. A polícia investiga.

 

 

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