“Piores 12 dias de nossas vidas”, diz esposa de homem preso no lugar do irmão

Mesmo solto, o nome de Denis Goulart Lopes ainda consta nas acusações de furto cometidas pelo irmão

atualizado 20/10/2021 12:31

Reprodução/Vídeo

A família do homem preso no lugar do irmão comemora a soltura dele, nesta quarta-feira (20/10). A esposa do acusado Denis Goulart Lopes, Bruna Rabelo, 34 anos, diz que o marido está abatido e não conseguiu dormir.

Mesmo solto, o nome de Denis ainda consta nas acusações de furto cometidas pelo irmão Vicente Wallace Goulart Lopes, 33, que, ao ser preso em 2009, informou o nome do familiar. Agora, o salgadeiro deve ficar à disposição da Justiça.

“Ele está extremamente abalado e triste com tudo que aconteceu. Não conseguiu dormir nada, mas está aliviado por ter voltado para casa. Esses 12 dias foram os piores de nossas vidas. Mas, graças a Deus, deu tudo certo. Agora é tentar recuperar o emocional e seguir em frente”, disse Bruna.

O homem foi solto após o Instituto de Identificação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confrontar as impressões digitais e constatar que são de pessoas distintas.

Como revelou o Metrópoles, a PCDF confirmou que existem duas identificações criminais – uma em Uberlândia (MG) e outra em Goiânia (GO) – no Sistema Nacional de Informações Criminais da Polícia Federal de uma pessoa que afirmou ter os mesmos dados que Denis.

Após confronto papiloscópico entre as impressões digitais da pessoa que estava detida no DF e da que aparece no sistema da Polícia Federal, a Polícia Civil do DF confirmou que estas “não possuem pontos característicos coincidentes, evidenciando tratarem-se de duas pessoas distintas”.

De acordo com Bruna, o marido deve seguir os passos propostos pela advogada, ou seja: processar o Estado para pedir indenização pelo erro cometido no Judiciário. “A partir do momento que a Justiça se manifestar e reconhecer que o acusado é o irmão dele e não ele, vai ser emitido um mandado de prisão contra Vicente, que será procurado no lugar de Denis”, detalhou a advogada, Rayane Duarte.

“Conseguimos a liberação dele, mas, até agora, seu nome não foi retirado das acusações. Em Goiânia, como os processos eram de execução e tinham sentença, a gente vai ter de entrar com processo de revisão criminal para poder tirar tudo do nome de Denis. Na acusação de Minas Gerais, esperamos que a ação penal venha ser trancada e seja aberta outra no nome do irmão”, adiantou a advogada de Denis.

Bruna diz esperar que o cunhado, Vicente Wallace, se entregue à polícia como o responsável pelos crimes.

Entenda o caso

Vicente Wallace afirma que o irmão foi preso em seu lugar, no último dia 8. A esposa de Denis conta que ele estava no trabalho quando policiais chegaram com um mandado de prisão no nome dele, por um furto cometido em 2009, em Uberlândia (MG).

Ao Metrópoles Vicente Wallace assumiu ter cometido o crime e disse estar arrependido de ter se passado por Denis. “Estou arrependidíssimo. O que eu quero é que meu irmão saia, porque ele nunca foi criminoso. Estou desesperado, muito preocupado com ele”, afirmou.

 

Wallace relata que quando foi preso em flagrante, em Minas Gerais, ficou detido por um mês. Ele havia cometido furto em uma unidade das Lojas Americanas de Uberlândia.

“Quando me abordaram, eu disse que não tinha documentos. Falei o nome do meu irmão, dei a data de nascimento dele também, o nome do pai e da mãe. Aí tiraram minhas digitais, deixaram na delegacia e, de um dia para o outro, me levaram para o presídio. Lá, tirei foto e dei as digitais de novo e fiquei preso por um mês, porque minha irmã pagou um advogado e me tirou de lá para eu responder em liberdade. Depois disso, eu me mudei para Goiânia”, narra.

Ele diz que após mudar para o estado de Goiás não voltou para o julgamento do caso. Desde então, o homem era tido como foragido, mas o nome procurado pela Justiça de Minas era o de Denis.

Já em Goiânia, Wallace cometeu outro crime, de roubo, e novamente apresentou-se como Denis Goulart Lopes. Ele começou a cumprir a pena em 13 de agosto de 2010. Após passar para o regime semiaberto, tornou-se foragido em junho de 2012.

 

 

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