Período de chuvas abre temporada de buracos nas vias do DF
Crateras podem ser encontradas do Lago Sul ao Sol Nascente. GDF faz mutirões para tentar amenizar o problema dos motoristas
atualizado
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As chuvas constantes que marcam o início de 2020 têm dificultado a vida dos motoristas. Além da baixa visibilidade e constantes alagamentos, verdadeiras crateras nas pistas acabam se abrindo todos os dias e são motivos de acidentes e danos aos veículos. Enquanto isso, o Governo do Distrito Federal (GDF) faz mutirões para tentar tapar os buracos e reduzir os transtornos.
Na última semana, carros tiveram os pneus rasgados e um motorista chegou a cair por conta de dois grandes buracos na L3 Norte, sentido Norte-Sul, próximo à Colina, área de imóveis residenciais da Universidade de Brasília (UnB). “Alguém tentou arrumar com cimento, mas não deu certo”, contou um morador da região. Na primeira nova chuva que caiu, o improviso se desfez e a fenda reabriu.
Depressões e rachaduras tomam conta de pistas movimentadas no Lago Norte, Taguatinga, Samambaia, Ceilândia, Guará, Cruzeiro, Riacho Fundo e Recanto das Emas, locais por onde a equipe do Metrópoles circulou durante dois dias. Com o desgaste e a ação das chuvas, o asfalto começa a ceder. No Lago Sul, próximo à Ermida Dom Bosco, e no viaduto de ligação entre Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, o problema está mais avançado e é possível encontrar vários buracos ao longo dos trajetos.
Fora do Plano Piloto
Os problemas vão crescendo e se tornando mais visíveis à medida que se afasta do Plano Piloto. Na QNM de Ceilândia, por exemplo, moradores sofrem com a quantidade de crateras, principalmente nas áreas residenciais. “Basta chover que aparecem os mesmos buracos, nos mesmos lugares. Esse asfalto foi feito há 40 anos e nunca houve uma boa reforma, só maquiagem. O que a gente precisa é do tipo de serviços que fazem lá no Plano, um recapeamento completo. Até porque eu pago meus impostos do mesmo jeito”, reclama o bombeiro Carlos Mota, 49 anos, morador da Quadra 19.
Quem também sofre com o desnivelamento e a falta de acessibilidade é o estoquista Wanderlei Alves, 51. Nascido e criado na região, ele tem problemas de locomoção e precisa das muletas para andar. “Tenho que ficar desviando. E o pior é que a gente se acostuma com o descaso, sabe? Se para mim está ruim, imagina para um cadeirante, uma pessoa cega. À noite, isso aqui vira um campo minado”, conta.
Outra moradora de Ceilândia, a técnica em enfermagem Tânia Ferreira, 55, afirma ter feito reclamações formais após ter prejuízos com o carro, mas sem sucesso. “Eu cansei de acionar a ouvidoria e não adianta. Ou a vizinhança se mobiliza para ajeitar ou fica assim. Rasguei meu pneu aqui do lado e isso só deixa a gente mais indignada”, diz.
Operação Buraco Zero
De acordo com o GDF, a cobertura de buracos é uma das principais demandas registradas em ouvidorias. Por isso, Ibaneis Rocha (MDB) lançou o programa Buraco Zero. Por meio de um sistema de GPS e mapas georreferenciados, pontos com necessidades de reparos são cadastrados e atualizados após os reparos. Os locais são fotografados e catalogados em um aplicativo de uso interno da administração pública.
Em novembro de 2019, Ibaneis afirmou que iria “premiar” a administração regional que tiver melhor desempenho em tapar buracos nas ruas e avenidas da região. A primeira recompensa está prevista para o final de 2020.
“A ideia é premiar as administrações para que cada gestor encaminhe três obras ou três necessidades mais preeminentes da cidade para que o governo possa direcionar os recursos nesse sentido. Nós queremos, por meio desse prêmio, beneficiar a comunidade e valorizar os administradores que tiverem mais empenho”, explicou Ibaneis, à época do lançamento.
Nesse sábado (04/01/2020), 32 pessoas foram divididas em três equipes para cobrir as falhas nos setores Comerciais, Bancários e de Diversões com 20 toneladas de massa asfáltica. Arniqueira, Sol Nascente, Riacho Fundo I e Estrutural também receberam as operações.































