PCGO busca fazer conexões entre suspeitos de usarem nome de Ibaneis para aplicar golpe

Segundo Sabrina Leles, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos, a ideia é provar o papel de cada um e mandar ao Judiciário

atualizado 06/01/2021 21:54

Material cedido ao Metrópoles

Após identificar os envolvidos no caso da organização criminosa que se passou pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no WhatsApp, a Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) trabalha para estabelecer as conexões entre os três suspeitos. Um deles chegou a ser preso na segunda-feira (4/1), mas foi liberado no dia seguinte.

“Estamos realizando diligências para terminar de identificar os suspeitos com precisão. Daqui para frente o foco é a comprovação da participação dos outros [investigados] e encaminhar para o Judiciário”, explica a titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC) de Goiás, Sabrina Leles.

Conforme ela lembrou, um dos envolvidos que ainda não foi capturado já possui diversas passagens pela polícia, por acusações como roubo e tráfico de drogas. Giancarlos Zuliani, da delegacia homônima no DF, destacou nessa terça (5/1) que o homem é integrante de uma facção criminosa. “Já foi condenado e pegou muitos anos de cadeia”, explicou.

Os três bandidos podem responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato. “O que já foi preso tem um papel superior, principalmente de pesquisa. Já os outros dois eram recrutadores e criadores de conta”, detalhou Zualiani.

Único preso já foi liberado

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) concedeu, na terça-feira, liberdade provisória ao homem de 28 anos que foi preso acusado de integrar a organização criminosa que se passou pelo governador do DF no WhatsApp.

O vigilante de escolta armada, portanto, responderá ao processo em liberdade, uma vez que o TJGO não considerou os crimes a ele atribuídos suficientes para justificar a manutenção da prisão. O homem havia sido pego em flagrante pela Polícia Civil do DF (PCDF) em Goiânia (GO) na segunda (4/1). Os demais envolvidos ainda são procurados.

Prisão em Goiânia

“As equipes conseguiram localizar o principal suspeito. Os outros dois já foram identificados e deverão ser presos em seguida. A resposta rápida da PCDF é fundamental para coibir esse tipo de crime”, afirmou o delegado.

Segundo revelado pelo Metrópoles, os criminosos pegaram uma foto do governador na internet, usaram um número de telefone com prefixo 061, do Distrito Federal, e tiveram acesso aos contatos pessoais do chefe do Executivo local.

Com os números em mãos, passaram a enviar mensagens fingindo ser Ibaneis Rocha e pedindo para que fossem efetuados depósitos em uma conta bancária. Familiares do governador chegaram a receber o pedido.

Perguntado sobre o caso na segunda-feira, o governador demonstrou irritação: “É cada bandido…”, indignou-se. No início da tarde, o chefe do Executivo local disparou mensagens aos contatos mais próximos e para os integrantes do Palácio do Buriti, com o intuito de alertar sobre o crime.

“Boa tarde. Um perfil falso foi criado com o meu nome. Estão remetendo mensagens e fazendo pedidos falsos. Recebendo-os, favor desconsiderar”, escreveu. No mesmo texto, o governador encaminha o print da tela com o número usado pelo estelionatário.

Governador alertou contatos sobre possibilidade de golpe com o nome dele
Ex-esposa caiu no golpe

A ex-esposa do governador Ibaneis Rocha, Luzineide Carvalho, foi a vítima que transferiu R$ 3,7 mil a um criminoso achando que estava conversando pelo WhatsApp com o próprio mandatário do GDF (veja troca de mensagem na imagem em destaque). Segundo ela contou ao Metrópoles, nunca imaginou que seria um golpe.

“Fui eu mesma. Recebi a mensagem dele dizendo que tinha mudado de telefone e, depois, pediu o dinheiro. Não desconfiei de nada”, explica. Segundo Luzineide, ela encarou o pedido como algo normal. “Ainda enviei o comprovante. Olha só como fui boazinha”, brinca.

Só quando ela recebeu pela segunda vez uma mensagem do mesmo número pedindo mais dinheiro que imaginou tratar-se de uma farsa. “Eu vi um erro de português e uns emojis que ele não usa. Foi aí que eu percebi e liguei pro Ibaneis”, explica.

Ao conversar com o governador pelo telefone, descobriu que tinha caído em um golpe. “Ele disse que não tinha mudado o número. Aí eu disse então para que ele avisasse os contatos, porque o golpista poderia estar fazendo mais vítimas”, detalha.

Luzineide conta que até chegou a acionar o banco para ver se conseguia o valor de volta, mas foi informada que não seria possível. “Já tinham sacado tudo, uma pena”, lamenta.

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