PCDF investiga empresário que “sumiu” sem pagar funcionárias

Cerca de 29 mulheres procuraram a Justiça e a Polícia Civil do DF para denunciar o suposto calote dado pelo vendedor

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atualizado 21/11/2019 20:30

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou inquérito para apurar denúncias apresentadas por ex-funcionárias de uma loja de Sobradinho contra o proprietário do estabelecimento. De acordo com o relato das vítimas, o comerciante é acusado de fechar as portas do comércio e desaparecer sem pagá-las. O caso é investigado pela 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho).

A suspeita é de que o empresário Kamal Issa Ali, de 28 anos, tenha deixado o DF sem pagar os salários de 29 mulheres, entre trabalhadoras e ex-empregadas. Segundo o depoimento das vítimas, ao chegarem para o expediente, nessa quarta-feira (20/11/2019), as funcionárias se depararam com a porta do estabelecimento onde trabalham – a Loja do Árabe (foto em destaque) – fechada.

O comércio funciona no Bloco 13 da cidade e é especializado na venda de joias, bijuterias e acessórios. As trabalhadoras também afirmam que Kamal as teria bloqueado nos aplicativos de mensagem e, desde então, recusa suas ligações.

Ao Metrópoles, uma das funcionárias relatou que o proprietário “sempre teve problemas em pagar os empregados”. “Trabalhei durante um ano para ele. Quando entrei na loja, pensei que o ambiente fosse tranquilo, mas logo percebi a furada em que havia me metido. Ele não pagava ninguém, nem o almoço nos dava”, denunciou.

Humilhações

A mulher, de 29 anos, também acusa o comerciante de destratá-las durante o expediente. “A gente foi agredida verbalmente muitas vezes, humilhada. Não tinha horário de almoço, trabalhávamos 12 horas por dia e não recebi nada do que tinha direito. Foi uma experiência muito ruim, um tormento. Teve uma época que a loja passou por reformas, e as funcionárias tiveram que comer no meio da rua, por falta de espaço. Muitas saíram de lá chorando”, afirma.

A reclamação da vendedora encontra ressonância entre as demais trabalhadoras que procuraram a Justiça e a PCDF para denunciar a conduta do empregador. Uma outra lojista, que não quis ser identificada por medo de retaliações, conta que não teve direito à licença-maternidade durante a época em que trabalhou para o empresário.

“Eu saí antes de a loja fechar. Tive que trabalhar grávida por oito meses e, quando saí, não tive direito à licença-maternidade e nem recebi o que tinha direito. Saí com uma mão na frente e outra atrás. Tive que procurar a Justiça para reaver meus direitos, e até agora nada”, conta.

A reportagem procurou Kamal Issa Ali para comentar as acusações. O Metrópoles tentou contatar o empresário através de todos os telefones da loja disponibilizados em uma conta do estabelecimento numa rede social, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestações.

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