PCDF apura se filha de mulher maltratada cometeu feminicídio

Outro crime investigado é o de abandono de idoso com resultado morte, com pena de detenção de 1 ano e 8 meses até 3 anos, e multa

atualizado 21/01/2020 18:26

Feminicídio é uma das linhas de investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa e com Deficiência (Decrin) sobre a morte da mulher de 69 anos encontrada desnutrida, sem dentes e com várias feridas pelo corpo, na casa em que morava, localizada em Taguatinga.

No dia em que a polícia fez o resgate de Leila Marçal, em 14 de janeiro deste ano, a filha da vítima chegou a ser presa. Entretanto, pagou fiança e acabou colocada em liberdade. Leila foi levada ao hospital, mas não resistiu.

Se a polícia reunir indícios que apontam o dolo de Flávia Cristina Marçal, 38, ou seja, que ela quis deixar a mãe morrer, a investigada pode ser indiciada por feminicídio — em razão de ter sido em condições de violência doméstica e pela vítima ser mulher.

Outro crime investigado é o de abandono de idoso resultando em morte. A pena de detenção, no caso, é de 1 ano e 8 meses até 3 anos, além de multa. Os investigadores aguardam o laudo para materializar o inquérito e apurar novas informações.

Cenas de horror

Os policiais chegaram até a casa da idosa após denúncia de um médico do Núcleo de Atendimento Domiciliar, do Hospital de Taguatinga (HRT). Durante uma das visitas, o profissional se deparou com o que ele chamou de “cenas de horror”.

Aos investigadores, a filha da idosa teria assumido que usava, mensalmente, os R$ 3,9 mil da aposentadoria da mãe para benefício próprio. Ela justificou que a vítima se alimentava por meio de sonda oferecida pelo Estado e, por isso, não tinha gastos pessoais.

Leila, que era servidora aposentada da Secretaria de Educação, vinha sofrendo com o agravamento da condição de saúde por conta de um acidente automobilístico ocorrido 20 anos atrás. Há uma década, a vítima se encontrava em estado vegetativo e recebia cuidados da filha única.

“Nós fomos acionados pelo Núcleo de Atendimento Domiciliar da Secretaria de Saúde para acompanhar uma visita e verificar a situação. Encontramos uma casa com um ambiente totalmente insalubre, sem as mínimas condições de higiene, quente e sem ventilação, a ponto de os policiais que participaram da ação passarem mal”, descreveu a delegada Ângela Maria dos Santos.

Celular

A filha contou, em depoimento, que “cuidava” da mãe desde que tinha 18 anos. Nunca trabalhou e diz ter trancado a faculdade para ficar com a idosa. “Ela disse que nunca contratou cuidadoras porque temia que elas maltratassem sua mãe”, informou a delegada.

Com o dinheiro da aposentadoria da vítima, a filha comprava roupas, comida e, recentemente, adquiriu um celular de última geração. “Chamou atenção a frieza como ela falava sobre fazer uma poupança para dar um funeral digno para a mãe”, ressalta Ângela Maria.

Conforme a policial, a autora chegou a juntar R$ 6 mil, mas a conta estava com apenas R$ 50 no dia em que foi detida. Após ser resgatada, a idosa foi levada às pressas para o HRT, onde faleceu.

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