Pais assinam manifesto para que aulas presenciais não sejam obrigatórias

Em documento assinado por cerca de 300 responsáveis por alunos, o pedido é para que o GDF dê a opção de os estudantes permanecerem em casa

atualizado 16/07/2021 9:18

Volta às aulas na rede particularHugo Barreto/Metrópoles

Um grupo de pais e mães de alunos de escolas públicas do Distrito Federal escreveu um manifesto contra o retorno obrigatório das aulas presenciais, em 2 de agosto. Mesmo com o modelo híbrido, os cerca de 400 integrantes do grupo querem ter a opção de manter os filhos 100% no ensino remoto. Eles têm medo da contaminação com a Covid-19.

O coletivo começou na 304 Norte e ganhou rápida adesão de pais de outras escolas públicas da capital. “A luta é de todos os pais e mães do DF contrários à obrigatoriedade do retorno presencial. Até o momento, existem 770 assinaturas no abaixo-assinado. Queremos divulgar nossa mobilização para que pais e mães não sofram sozinhos diante dessa imposição”, afirmou um dos integrantes do grupo, que preferiu não se identificar.

Eles esclarecem não serem contra o retorno às aulas presenciais, mas sim o fato de ser obrigatório. “O momento atual da pandemia de Covid-19, com o surgimento veloz de novas variantes, ainda demanda muita cautela”, diz o documento assinado pelo coletivo de pais e mães do DF.

Entre os pontos questionados, está a insegurança de crianças, adolescentes, famílias e de toda a comunidade escolar devido ao vírus.

“Não compreendemos quais sinais de melhora na situação sanitária foram usados para decidir pelo retorno ao ensino presencial. No momento em que foi acertadamente suspenso o ensino presencial, o DF apresentava pouquíssimos casos de Covid-19 confirmados. Hoje, infelizmente, temos 437.726 casos confirmados e 9.379 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde”, argumenta o grupo no documento.

Veja:

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Protocolo de retorno

Em 13 de julho, o Governo do Distrito Federal (GDF) finalizou a redação de um documento com orientações para a retomada das atividades presenciais híbridas na rede pública de educação. Em 66 páginas, integrantes da Secretaria de Educação apresentam protocolos e medidas de biossegurança contra a Covid-19 para a retomada das aulas em 2 de agosto. Ao todo, a capital do país tem 686 instituições públicas, 452 mil alunos e cerca de 40 mil professores.

O documento prevê o retorno híbrido obrigatório dos alunos. Segundo a Secretaria de Educação, o trabalho pedagógico presencial será, inicialmente, organizado em formato mesclado entre presencial e on-line. A intenção é evitar aglomerações nas unidades escolares e garantir o distanciamento físico necessário dentro das salas de aula.

“Esta proposta de formato híbrido organiza-se, portanto, por meio da alternância de grupos de estudantes: em uma semana, metade dos estudantes de cada turma irá à escola presencialmente, enquanto os demais farão atividades remotas – por meio do uso de tecnologia ou material impresso e/ou concreto; e, na semana seguinte, o mesmo processo ocorrerá invertendo-se os grupos”, diz o texto apresentado.

É esse ponto que os pais pretendem mudar. Eles querem optar por manter o ensino remoto. A decisão de retomar as aulas em 2 de agosto foi tomada pelo GDF após os professores terem sido imunizados com a vacina da Janssen, que é dose única. Os 6 mil professores imunizados em maio com a vacina da AstraZeneca terão a D2 antecipada.

Além disso, o GDF se baseia na redução da média móvel de contaminação para liberar o retorno do ensino presencial, suspenso desde março de 2020 devido à pandemia do novo coronavírus.

 

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