Organizador de festa clandestina interditada pela PMDF é servidor do STF

Rodrigo Bresler Antonello é analista judiciário e já esteve envolvido em outros problemas com a Justiça

atualizado 05/01/2021 11:37

O responsável pela organização da festa que tinha previsão de durar quatro dias em um hotel-fazenda no Gama é servidor do Supremo Tribunal Federal (STF). Rodrigo Bresler Antonello é analista judiciário da Coordenadoria de Processos Criminais da Corte e já esteve envolvido em outros problemas com a Justiça.

Nas redes sociais, ele aparece promovendo a Brave Party desde o anúncio do evento, em setembro, até pouco antes do início da festa, no dia 31 de dezembro. Após a Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) fecharem o hotel – que contava com cerca de 300 pessoas no segundo dia de comemoração – , no entanto, não houve mais divulgação.

A atitude pode ser explicada por uma possível mudança do local da festa depois da interdição da Brave Party. Em uma conversa via WhatsApp obtida pelo Metrópoles, o servidor do STF manda uma mensagem com os dizeres: “E lá vamos nós… Último dia”, dando a entender que a festa teve prosseguimento. Segundo denúncias recebidas pela reportagem, o evento ocorreu em uma chácara de Brazlândia.

Em outras conversas obtidas a partir de um grupo com organizadores do evento, há o anúncio de que a festa não parou, mesmo após ter sido interditada. Um dos participantes questiona: “Normal hoje… pode ir, então?”. E recebe resposta afirmativa: “Sim!!! O line da noite foi para o dia”.

Em outro momento, um dos integrantes do grupo ironiza as reportagens que foram feitas denunciando o evento que descumpriu os decretos vigentes de prevenção à Covid-19. “Queria só ver a cara do jornalista da Metropole (sic) com sucesso Brave”, diz.

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Procurado por telefone e mensagens pelo WhatsApp, o responsável pelo evento não respondeu à reportagem. O espaço permanece aberto.

Já a Secretaria DF Legal informou que esteve por duas vezes no local, à tarde e à noite, ainda no sábado (2/1), para averiguar o cumprimento das medidas que levaram à interdição do evento. “A pasta constatou, nas duas oportunidades, que todo o equipamento de som, conforme determinado pela fiscalização, ainda na sexta-feira (1°), foi desmontado ficando apenas a estrutura de palco, por necessitar de mão de obra especializada para que fosse desmontada sem colocar em risco à segurança dos presentes.”

Ainda segundo o texto, “um banner com a propaganda do evento foi removido e a direção do hotel alertada para que não usasse qualquer tipo de som, ainda que automotivo”.

Problemas com carro alugado

Em 2020, a casa de Rodrigo foi alvo de busca e apreensão, mandado cumprido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). No imóvel, no Lago Norte, os agentes encontraram um carro que havia sido locado na empresa Hertz, há quatro anos, e nunca devolvido.

De acordo com o depoimento de Antonello à polícia, o veículo foi locado por Leone Albuquerque, com quem ele manteve um relacionamento entre 2015 e 2016, e não mantém mais vínculo. Ele diz que “não lembra de muitos detalhes”, mas que, quando Leone foi morar em São Paulo, tentou devolver o automóvel à empresa, mas não obteve sucesso.

Na sequência, Antonello relatou aos agentes que “para não deixar o carro em um depósito”, Leone pediu para que ele guardasse o veículo na residência. O servidor do STF ainda disse que “o automóvel ficou parado por muito tempo, inclusive com os pneus esvaziados”.

Por fim, alegou que não mantém contato com o ex-companheiro mas que “não acredita que Leone se apropriou do veículo de maneira ilícita”. “Tanto é que o carro está parado tem muito tempo”, disse o servidor público no depoimento.

Segundo Antonello, Leone movia uma ação contra a locadora de carros de onde esse automóvel teria sido locado.

No boletim de ocorrência, o supervisor da locadora de veículos Hertz informou que um Ford Ka Branco teria sido apropriado indevidamente por um cliente.

Já em fevereiro de 2020, o Metrópoles revelou que o servidor do STF teve bens – incluindo a fração da casa no Setor de Mansões do Lago Norte, onde mora – penhorados pela Justiça para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 37,7 mil, fruto de uma condenação por danos morais.

Local da festa foi interditado na sexta-feira

No início da noite de sexta-feira (1º/1), a festa de Antonello foi dispersada pela Secretaria DF legal e pela PMDF. A ação ocorreu poucas horas após a divulgação de imagens do local, durante a virada do ano. Os registros mostram o desrespeito aos protocolos sanitários de combate à Covid-19: centenas de pessoas se aglomeraram sem máscara de proteção.

De acordo com a PM, cerca de 300 pessoas estavam no hotel durante a abordagem. Fiscais da Secretaria DF Legal verificaram que o local não tinha autorização para funcionar depois das 18h.

O evento foi evacuado sem transtornos e a hospedaria acabou interditada. Aplicou-se uma multa de mais de R$ 30 mil ao estabelecimento. Os fiscais descobriram, ainda, que a administração do hotel apresentou declaração falsa para conseguir o alvará da festa.

Confira

 

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Após o início das comemorações, a conta do Instagram da festa foi excluída. É possível, no entanto, ver frequentadores da Brave postando fotos de um local.

Um dos DJs que participaram da festa, inclusive, publicou uma visão panorâmica da aglomeração.

Veja

 

 

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