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Quadrilha de candidato a vereador deu golpe milionário em atacadistas

Edilson do Vale, responsável pelas compras fraudulentas, não foi localizado e é considerado foragido. Ele tentou se eleger vereador em GO

atualizado 07/12/2021 16:04

candidato a vereadorReprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou operação, nesta terça-feira (7/12), para desarticular organização criminosa especializada em aplicar golpes contra distribuidores e atacadistas. Ao longo de um ano, investigadores da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) apuraram a ação do bando. Entre os foragidos está um homem que chegou a ser candidato a vereador (foto em destaque).

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, do líder da organização criminosa e do gerente do núcleo do estelionato. Mais de R$ 5 mil em espécie, além de veículo de luxo, também foram encontrados. Os criminosos tinham uma célula responsável pelos estelionatos.

O bando abria empresas em nome de laranjas e efetuava compras milionárias, mas, após o recebimento dos produtos, não quitava os débitos e, depois, mudava de local repentinamente, iniciando novo ciclo criminoso com outra empresa fantasma. O integrante desse núcleo Edilson Fernandes do Vale, responsável pelas compras e recebimento de mercadorias, não foi localizado e é considerado foragido. Ele tentou se eleger vereador de Planaltina de Goiás, mas não reuniu votos suficientes.

Núcleo Contábil

Os produtos conseguidos após os estelionatos eram receptados em três mercados de Planaltina e revendidos por preços abaixo do mercado para que as provas do crime fossem logo eliminadas do local. O administrador do mercado era o chefe da organização, Rafael Silva da Costa, e responsável pelo financiamento do grupo criminoso que abalava os pequenos comércios da cidade.

A organização contava com um núcleo de contabilidade, responsável pela abertura de empresas em nome de laranjas, movimentação contábil e emissão de certificados digitais para viabilizar as fraudes, sendo indiciados um contador, uma certificadora digital e um jovem que figurava como laranja.

O núcleo responsável pela lavagem de dinheiro era gerenciado por um parente e sócio do líder e consistia em comprar veículos com parte do dinheiro obtido com os crimes, mas registrados em nome de terceiros, geralmente funcionários dos mercados, tudo para dissimular a origem ilícita dos valores.

Bloqueio de bens

Ao logo das investigações ocorreram diversas prisões em flagrantes e temporária, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueios de valores milionários em dinheiro, apreensões veículos e de mercadorias, tudo em fases anteriores da Operação Fraus.

Os elementos de provas colhidos nesse período subsidiaram um inquérito policial que possibilitou o desmantelamento da quadrilha e resultou no recebimento da denúncia contra 12 investigados por mais de 110 crimes, ao todo, como organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, estelionato, falsificação de documento público e privado, falsidade ideológica e uso de documento falso, cujas penas somadas ultrapassam mais de mil anos de prisão.

A PCDF ainda irá investigar o núcleo de embaraçamento da investigação, integrada por um advogado que diversas vezes tentou afastar o delegado e agentes de polícia que trabalhavam no caso, bem como de um policial militar da ativa, pois além de fazer a segurança dos mercados, informava ao líder da organização sobre as campanas realizadas pela Polícia Civil, denunciando os veículos descaracterizados e policiais civis que conhecia em razão de sua função policial.

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