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Morre técnica em anatomia “Gordinha do Rabecão”, aos 48 anos, no DF

Ana Cristina Neves estava internada tratando uma infecção urinária, que evoluiu para sepsemia. Velório ocorrerá neste domingo

atualizado 14/05/2022 14:16

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A técnica em anatomia Ana Cristina Neves, 48 anos, conhecida como Gordinha do Rabecão, morreu na madrugada deste sábado (14/5). Ela estava internada tratando uma infecção urinária, que evoluiu para septicemia (infecção generalizada). O velório ocorrerá nesse domingo (15/5), às 8h30, no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga.

Em reportagem ao Metrópoles, publicada em 2017, Ana Cristina revelou que tinha o costume de dizer que sua vida era a morte. Há mais de duas décadas, ela encarava com naturalidade, respeito e uma dose de bom humor a rotina que, para a maioria, pode parecer mórbida. Ela recolhia corpos pelas ruas do Distrito Federal. À época, afirmou que havia levado mais de 5 mil para o Instituto Médico Legal (IML).

O ofício que herdou do pai rendeu muitas histórias e alguns apelidos. Dona Morte e Gordinha do Rabecão eram alguns deles. Para outros, era conhecida apenas como Cris.

Trabalhar no necrotério era algo que sempre a atraiu. “Desde criança, eu me interessava pela anatomia humana. Fiz enfermagem e cheguei a trabalhar no Exército, mas o IML sempre foi o meu sonho”, relatou, em 2017.

Cris tinha um jeito especial de ver a vida. Ela definia o local onde trabalhava como um grande centro cirúrgico, e a morte como um “avião”. “Uma hora a gente tem de embarcar”.

Durante o ofício, ela participou de orações, rodas de rap e trabalhos espirituais em terreiros. E afirmou trabalhar sem pré-julgamentos. “Costumo dizer que não importa se a pessoa morreu no Lago Sul ou na Estrutural. É um ser humano que está ali e sempre vai ter alguém chorando por ele”, acrescentou.

Relembre a entrevista:

Homenagem

Diógenes Morais, servidor do IML, era chefe de Ana Cristina. Em mensagem publicada nas redes sociais, ele afirmou que a amiga de profissão deixará saudades.

“Uma pessoa autêntica e verdadeira, que se apresentava como realmente era, sem fingir ser algo que não era apenas para agradar os outros, e geralmente não agrada a todos mesmo. Assim era Ana Cristina, um turbilhão de autenticidade ambulante, tentava de todas as formas esconder seu coração gigantesco, seu cuidado, da forma dela, com todos”, homenageia Morais.

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