“Morreu a esperança da gente”, afirma moradora de prédio que desabou

Nenhum morador poderá entrar no prédio nas próximas 24 horas devido ao risco de um novo desabamento. Famílias choram a perda de pertences

O que seria o início de um ano tranquilo para as famílias que moravam no edifício que desabou parcialmente, em Taguatinga Sul, nesta quinta-feira (6/1), agora é sinônimo de luta e recomeço.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) evacuou o prédio na manhã desta quinta e conseguiu evitar que pessoas fossem vítimas de uma tragédia maior. Alguns animais, no entanto, não conseguiram ser resgatados e morreram soterrados.

Veja como era e como ficou o prédio que desabou parcialmente no DF

“Larguei tudo que eu tava fazendo, mas já não podia subir para pegar nada. A gente perdeu tudo. Não tem documento, não tem nada. Não temos onde morar. Tudo que a gente tem é a roupa do corpo”, relata a moradora Cristiane Nascimento, de 43 anos, manicure em Águas Claras.

“Eu ouvi por aí que ninguém morreu, mas morreu sim. Morreu a esperança da gente. Como é que a gente vai começar o ano sem nada?”, reclama a manicure.

Cristiane Nascimento, de 43 anos, manicure em Águas Claras

Segundo os moradores, todos os 24 apartamentos estavam ocupados. Eles também estimam que cerca de 50 pessoas viviam no local.

Cristiane era vizinha de outros três irmãos. Somente de sua família, 17 eram moradores do prédio.

Desolados, os familiares não sabem onde dormirão esta noite. “Por mais boa vontade que tenha, nenhuma casa da nossa família consegue comportar a gente”, lamenta Cristiane.

Confira momento em que prédio desaba:

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O prédio fica na QSE Área Especial 20, Lote 20, em Taguatinga Sul
As rachaduras aumentaram depois da construção de mais um pavimento no edifício, segundo morador
O problema teria piorado com as chuvas
Por causa do risco, o prédio precisou ser evacuado
Rachaduras na base da estrutura
Rafaela Felicciano/Metrópoles
Também há falhas nas vigas
Bombeiros evacuam prédio sob risco de desabamento no Distrito Federal
Moradores tiveram de deixar o prédio às pressas
Rafaela Felicciano/ Metrópoles
Prédio sob risco
Rafaela Felicciano/ Metrópoles
Rafaela Felicciano/ Metrópoles
Rafaela Felicciano/ Metrópoles
A Defesa Civil avalia as condições do edifício
Mônica Santos, moradora: "Peguei roupa, minha cachorrinha e as duas televisões. O resto está nas mãos de Deus"

Outra moradora do prédio, Adriana Alves, 44 anos, conta que perdeu dois cachorros durante a evacuação. “Fui a primeira moradora a sair. Perdi documento, geladeira… acabou tudo”, lamenta a professora.

Acompanhada do marido e de quatro filhos, Adriana irá procurar abrigo com auxílio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) que, no momento, realiza o cadastro das vítimas em situação emergencial que procuram abrigo. “A gente vai. Não tem muito para onde ir”, explica.

Adriana Alves, 44 anos, perdeu dois cachorros durante a evacuação

O tenente-coronel da Defesa Civil do DF Deusdete Vieira informa que nenhum morador poderá entrar no prédio nas próximas 24 horas devido ao risco de um novo desabamento. “Tudo vai depender da estrutura [do prédio], da análise dos engenheiros com relação à movimentação da edificação. Se houver o agravamento, a gente vai estender esse tempo”, informa.

A Neoenergia interrompeu o fornecimento de energia na rua. Eles não têm estimativa de quando a luz poderá retornar.