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Depois do temporal que devastou Samambaia na última quarta-feira (19/10), os moradores tentam retomar a rotina. Mas a tarefa vai ser difícil. Apesar da solidariedade e da força-tarefa montada pelo governo, estão longe de deixar tudo em ordem. Muitas escolas e creches, por exemplo, estão com as atividades suspensas. Algumas unidades ficaram muito danificadas, como é o caso do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente Casa Azul Felipe Augusto, localizado na QN 325.

A instituição atende, diariamente, mais de 800 crianças e adolescentes e agora conta com a ajuda da população para a reparar os danos. “A Casa Azul não dispõe de verbas para a reconstrução, pois os recursos financeiros são provenientes de bazares, apoio de parceiros, de sócio contribuintes e de convênios com o governo local, que devido à crise econômica, não repassou os recursos do mês de setembro integralmente”, explica a presidente da instituição, Daise Moisés.

Com o objetivo de agilizar os trabalhos de reconstrução na cidade, o Governo do Distrito Federal (GDF) montou uma força-tarefa para auxiliar as vítimas. Cinquenta internos da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), entre pintores, eletricistas e pedreiros, foram mobilizados para ajudar na recuperação dos equipamentos públicos, como escolas e creches, afetadas pelo temporal.

Segundo informações do GDF, das 1,28 mil casas que foram afetadas pelo temporal, 832 foram recuperadas até sexta-feira (21/10). Os imóveis receberam telhado novo e estão aptos para receber os moradores novamente. Na sexta, 873 pessoas trabalharam nas ações de restauração. Também foram distribuídas 800 cestas básicas e 1,2 mil telhas a famílias em situação de vulnerabilidade econômica.

A energia foi restabelecida nesta madrugada. Segundo a CEB, a empresa deslocou para o local mais de 40 equipes de emergência e manutenção. O temporal havia provocado o desligamento de energia em 21.551 unidades consumidoras.

Na localidade mais crítica, a QR 419, cinco postes foram derrubados pela força dos ventos. Também houve registros de rompimentos de cabos de alta e baixa tensão em outras localidades da cidade. A maior parte das ocorrências esteve concentrada nas QR’s ímpares de 100 a 600. A empresa afirma que o trabalho vai continuar pelo fim de semana, até que todas as redes danificadas sejam restauradas.

Escolas são prioridade
Na manhã de sexta-feira (21), o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, esteve na região para avaliar a atuação do comitê de gestão de crise. O chefe do Executivo local estava em um compromisso em São Paulo e antecipou a volta à capital para traçar novas medidas com os secretários. De acordo com Rollemberg o objetivo principal é fazer com que todas as escolas voltem a funcionar até segunda-feira (24/10).

Devido aos danos, 19 unidades de ensino públicas da região administrativa tiveram atividades suspensas e deixaram 14.481 alunos sem aulas. Entre os problemas constatados nos Centros de Ensino, estão a queda de árvores, destelhamentos, infiltrações e falta de energia.

Oficialmente as aulas estão suspensas por 72 horas, por motivos de segurança. Os colégios com prioridade para reparos são Centro de Ensino Especial 1, Caic e as Escolas Classe 307,415, 425, 111, 511 e 317. “Pedimos o apoio e compreensão da comunidade para dar prioridade às pessoas que mais precisam. O mais importante, nesse momento, é atender aquelas famílias mais necessitadas”, completou Rollemberg.

Doações
Até o fim da manhã de sexta (21), mais de mil pessoas haviam sido cadastradas para avaliação de auxílio social. O material fornecido pelo GDF está sendo entregue no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), na quadra 419 de Samambaia Norte. Na quinta-feira (20/10), foram distribuídas 330 cestas básicas, 50 colchões e 300 telhas. De acordo com balanço da SSP-DF, 4 mil pessoas foram atingidas pela chuva e pelos ventos de quarta (19).

A Administração Regional de Samambaia também organizou campanha de doação de materiais de construção. A entrega de donativos de empresários deve ser feita no ginásio de esportes, no Setor Urbano, Quadra 301, em frente à administração regional. Cidadãos comuns que tenham sobras de materiais também podem participar. Servidores da área social do governo farão a triagem e a distribuição de acordo com as necessidades de cada morador.

A dona de casa Neide da Silva, 55, moradora da QN 425, uma das quadras mais afetadas pelo temporal, foi até o Creas buscar a sua cesta básica. “É um momento triste. A minha casa ficou completamente destelhada. Alguns vizinhos estão prestando solidariedade, mas eu não tenho dinheiro para recolocar as telhas. Improviso com uma lona e conto com a ajuda do GDF para recomeçar”, disse.

Quem quiser ajudar a Casa Azul pode entrar em contato pelos telefones: (61) 3359-2098 /2095 ou por e-mail: articuladorsocial@casazul.org.br

 

 

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