Médico armado em pizzaria chamou sogra de “cachorra” e a ameaçou com “luta marcial”

Em relato à Delegacia Especial de Proteção à Mulher, a vítima denunciou agressões cometidas por Thiago Zacariotto Lima Alves em 2015

atualizado 28/09/2021 16:14

Reprodução

Investigado por ameaçar o dono de uma pizzaria após a demora na entrega do pedido, o médico Thiago Zacariotto Lima Alves já foi alvo de outra denúncia de violência registrada na Polícia Civil do Distrito Federal. O Metrópoles apurou que o acusado ameaçou a sogra, em outubro de 2015, após ser impedido de morar na casa dela.

Em relato feito na Delegacia Especial de Proteção à Mulher (Deam), a denunciante, com 67 anos à época, disse que foi vítima de agressão por parte da filha e do namorado dela, Thiago. A jovem teria levado o médico para morar na casa da família, no Lago Sul, sem o consentimento da mãe. A idosa foi contra a mudança e questionou o casal sobre a permanência do médico na residência. Ela afirma que a filha começou a se tornar irritada e agressiva.

Em 4 de outubro de 2015, a senhora explicou que, sem motivo aparente, o genro começou a intimidá-la, dizendo: “Eu faço luta marcial. Vocês são um bando de imbecis (referindo-se à sogra e aos filhos dela). Eles são uns bandos de gays e cachorros! Aqui nessa casa não tem um cachorro só! Tem dois! A senhora é uma imbecil! Eu vou vir morar aqui! Vocês têm de construir uma casa aqui para mim!”.

Ainda de acordo com a denunciante, a briga foi presenciada pela jovem, que nada fez. A senhora acrescentou que solicitou à filha que não levasse mais o namorado para casa. Dias depois, após saber que Thiago iria para lá, a idosa disse que não o aceitaria lá. Irritada, a filha partiu para cima da idosa, com tapas e murros. Atingiu-a nas costas e nos braços. À época, a vítima também solicitou medidas protetivas de urgência.

Histórico

O médico já foi secretário de Saúde de Santa Inês, cidade no interior do Maranhão. Thiago Zacariotto Lima Alves, atualmente investigado pela 1ª DP (Asa Sul), responde a processos de improbidade administrativa relacionados ao exercício da função.

Segundo consta em diversos processos no Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, o Ministério Público do estado (MPMA) encontrou indícios de irregularidades que teriam sido cometidas por Thiago e pelo pai dele, prefeito da cidade na ocasião, em alguns pregões ocorridos em 2013. O órgão estadual sugere condenação por “frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente”.

Em 2018, após relatório do tribunal de Contas daquele estado, a Promotoria de Justiça da Comarca de Santa Inês instaurou inquérito para apurar irregularidades apontadas na tomada de contas de gestores do Fundo Municipal de Saúde (FMS) do município em 2013, época em que ele era o secretário.

O documento indica que foram constatados problemas em processos licitatórios, no montante de R$ 18.441.418,90, e ausência de recolhimento e retenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para atividades prestadas, no valor de R$ 75.870.

As apurações identificaram também a ausência de comprovantes de despesa de R$ 96.918,74, assim como irregularidades nos custos referentes aos contratos 2013.09 (Pregão Presencial nº 005/2013) e 2013.12 (Pregão Presencial nº 007/2013). Teria havido ainda a ausência de processos licitatórios, no valor de R$ 1.223.101,53, e a ausência de processo de dispensa de licitação, além de classificação indevida de despesa, no montante de R$ 6.977.844,75.

Em novembro de 2015, Thiago chegou a ser nomeado assessor especial na Secretaria de Saúde, mas, três meses depois, a nomeação foi tornada sem efeito.

Em uma clínica médica onde trabalha, ele se apresenta como especialista em ultrassonografia geral, mas o registro dele no Conselho Regional de Medicina não aponta especialidades.

Flagrante

A reportagem do Metrópoles obteve dois vídeos que mostram o momento em que o médico Thiago Zacariotto Lima Alves saca uma arma e ameaça funcionários de uma pizzaria, na Asa Sul, nesse domingo (26). Ele tira a pistola da cintura, coloca a arma em cima do balcão de atendimento e dá dois tapas ao lado do objeto. Em seguida, aponta a arma para um dos funcionários e a coloca de volta na cintura.

Veja o momento em que o médico saca a arma:

O médico que ameaçou funcionários de uma pizzaria com uma arma para reclamar da demora na entrega do produto, na verdade, forneceu o endereço errado no aplicativo de entrega.

A consulta ao sistema do app mostrou o equívoco. Mesmo não tendo razão na queixa, o profissional de saúde foi até o estabelecimento, na Asa Sul, e, portando uma pistola, xingou e proferiu ameaças aos trabalhadores.

De acordo com apuração do Metrópoles, Thiago Alves foi até a loja por volta das 20h30 de domingo (26/9) — ele teria ido ao local duas vezes. Na primeira, teria alegado o não recebimento do lanche e pediu que a entrega fosse feita em endereço diferente do que constava no aplicativo.

Após aproximadamente uma hora, Thiago retornou à pizzaria dizendo que ainda não havia recebido a refeição. Nesse momento, o cliente sacou uma arma e disse ao dono do local que queria a pizza naquele exato momento. A discussão foi gravada por câmeras de segurança.

Veja o vídeo:

Depois de cerca de quatro minutos de discussão, o homem recebeu a pizza, pediu desculpas e foi embora. Informações preliminares apontam que o médico não tem porte de arma de fogo. Ele será intimado a depor ainda nesta semana.

A reportagem do Metrópoles não conseguiu contato com Zacariotto. O espaço segue aberto para manifestação.

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