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A Polícia Civil do Distrito Federal deve remeter ao Ministério Público, ainda nesta semana, o inquérito que investiga a morte de João Lucas de Pina Feitosa, 3 anos. Mãe da criança, a pediatra Juliana de Pina Araújo, 34, foi presa em flagrante suspeita de ter envenenado o menino.

O delegado adjunto da 1ª DP (Asa Sul), João de Ataliba Nogueira, indiciou a médica por homicídio duplamente qualificado (por envenenamento e sem dar chance de defesa à vítima). Segundo ele, a servidora deverá ser ouvida nos próximos dias.

A médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – que está internada na ala psiquiátrica do Instituto Hospital de Base (IHB), sob escolta policial – teve a prisão em flagrante convertida para preventiva em audiência de custódia realizada na quinta-feira (29/6), um dia após o crime, pela juíza Lorena Alves Campos.

“As circunstâncias, sobretudo o fato de ter matado seu próprio filho de 3 anos, bem como o modo como realizou a conduta (supostamente colocando remédio/veneno na mamadeira da criança), demonstram a necessidade da prisão”, disse a magistrada.

O crime
A tragédia ocorreu por volta das 17h40 de quarta-feira (27), no 4º andar do Bloco J da 210 Sul. Encontrado desacordado em cima da cama da mãe, o garoto chegou a ser levado ao Hospital Materno Infantil (Hmib), mas os médicos não conseguiram restabelecer seus sinais vitais. Os policiais acharam no imóvel uma mamadeira ainda cheia de leite e cartelas de remédios de uso controlado no lixo e na bolsa de Juliana.

Segundo relatos de testemunhas à polícia, a médica teria descido do apartamento e dito que tinha matado o filho e tentado tirar a própria vida. Ambos foram levados ao hospital pelo porteiro e um morador do prédio, no carro da pediatra.

“A criança estava desacordada e a mulher toda ensanguentada. Não falava nada e tinha uma aparência abalada. A mãe dela [avó do menino] gritava por socorro”, explicou Gilberto Santos, o vizinho que prestou socorro.

O primeiro destino foi o Hmib. Gilberto carregava o menino nos braços. Ele, a avó e a médica estavam no banco de trás enquanto o porteiro dirigia. Conforme depoimento do pai, na 1ª DP, o filho já havia sido internado em janeiro deste ano após se intoxicar com medicamentos da mãe. Juliana disse que o menino tinha ingerido a medicação por acidente.