Marcha LGBTQI+ estreia neste domingo e abre dissidência no DF

Grupo se concentrará no Estádio Mané Garrincha, a partir das 14h. Segundo os organizadores, a ideia é se afastar de bandeiras partidárias

Giovanna Bembom/MetrópolesGiovanna Bembom/Metrópoles

atualizado 01/07/2019 17:10

Neste domingo (30/06/2019), uma parada do orgulho LGBTQI+, com público esperado de 5 mil pessoas, acontecerá no Eixo Monumental – a concentração será em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, a partir das 14h. O evento foi convocado por uma dissidência do movimento original, que acontece há 22 anos em Brasília, e usará o nome Parada Livre. Segundo os organizadores, a ideia é se afastar de militância política e bandeiras partidárias.

“Em Nova York, este ano, comemora-se 50 anos de história do movimento e eles terão duas paradas. Goiânia já tem duas e Porto Alegre, também. É uma parada livre porque não levantamos bandeira de PT, do Bolsonaro nem de ninguém”, explica um dos idealizadores, o empresário Bruno Rodriguez, membro da Associação da Parada do Orgulho LGBTQI+ de Brasília, composta também por mais cinco sócios.

Para garantir a tranquilidade do público, a organização pediu a presença da Polícia Civil e da Polícia Militar. “Dizem que a passeata a favor do governo agredirá os homossexuais porque vai acontecer no mesmo dia que a nossa, mas pedimos segurança”, afirmou Rodriguez.

Segundo o empresário, justamente por ser a primeira grande manifestação de cunho LGBTQI+ no governo Bolsonaro, ele se preocupou em preservar a integridade de quem se dispuser a ir. “Sabemos que, querendo ou não, o presidente não é muito a favor. Então, pedimos apoio”, assegura.

Cisão

A ligação com os movimentos sociais é o principal ponto de divergência entre os grupos da cidade. A parada realizada pelo Brasília Orgulho fará sua 22ª edição em 14 de julho. No entanto, segundo Bruno Rodriguez, o evento traz um apelo partidário forte. Para os ativistas do grupo deste domingo, o outro movimento quer seguir uma agenda exclusiva “de esquerda”.

“Muitas pessoas do público LGBT são a favor do Lula, e dizem que eu sou pró-Bolsonaro, coisa que não é verdade. Apenas afirmei, depois da vitória dele nas últimas eleições, que esperava melhoria na nossa situação”, argumenta o organizador, que garante não ter apoiado o atual presidente. “Eu votei no Ciro [Gomes] no primeiro turno e, no segundo, sequer votei.”

Um dos idealizadores do Brasília Orgulho, Michel Platini foi candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições. Para ele, o coletivo do Parada Livre ignora que se manifestar contra Bolsonaro é se posicionar contra práticas consideradas “homofóbicas”.

Platini nega que a manifestação organizada por seu grupo seja focada somente em pautas da esquerda. “Brasília tem várias entidades LGBT, cada uma tem sua leitura da luta. No fundo, porém, queremos a mesma coisa. Dentro do nosso grupo, temos companheiros de direita. Divergimos nas ideias, mas temos consciência do nosso ideal de uma sociedade mais justa.”

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Redes sociais

Na internet, o debate segue de forma intensa. Na página do Facebook da Brasília Orgulho, apoiadores defendem a parada do dia 14 e criticam a outra iniciativa. Michel Platini, por exemplo, gravou um vídeo enumerando as diferenças.

Apesar das críticas, Julio Cardia, assessor de comunicação da Parada Livre, defende que a nova iniciativa tem recebido incentivo nas redes sociais. “O apoio é grande, há pessoas que não se sentem representadas pela militância atual”, opina.

A Associação da Parada do Orgulho LGBTQI+ de Brasília afirma que não está ligada ao atual governo, mesmo que alguns de seus membros tenham declarado publicamente apoio a Jair Bolsonaro. O grupo, inclusive, reforça que os integrantes não têm ligações político-partidárias.

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