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Irene Xavier da Silva Ázara, 59 anos, mãe de Aline Stela Xavier Ázara, 37, se apega à fé para tentar amenizar a dor pela trágica perda da filha. O velório da advogada encontrada morta em Florianópolis na segunda-feira (2/7) está marcado para esta quarta-feira (4), às 13h, no Cemitério de Sobradinho. O sepultamento terá início às 16h.

Desde o desaparecimento de Aline, na segunda-feira (25/6), Irene e os familiares têm compartilhado mensagens de orações e boas vibrações. “É difícil lidar. Só Deus mesmo para nos dar força para aguentar. Os amigos têm ajudado bastante também”, desabafou a mãe, católica e membro da Paróquia Bom Jesus dos Migrantes, em Sobradinho.

O corpo de Aline foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis nessa terça-feira (3), o que permitiu aos familiares agendarem a despedida da advogada para esta quarta (4). Os irmãos da jovem cuidaram do traslado e dos procedimentos burocráticos na capital catarinense.

O laudo que vai apontar a causa da morte da jovem ainda não ficou pronto. Segundo informações do Instituto Geral de Perícias (IGP), o exame cadavérico deu inconclusivo. Os peritos ainda vão analisar tecido e sangue coletados no corpo da advogada. A morte natural não foi descartada pelos técnicos.

Linha de investigação
A principal linha de investigação da Polícia Civil de Santa Catarina a respeito da morte de Aline Stela Xavier Ázara, porém, é suicídio. O corpo dela foi achado na manhã de segunda (2) em um hostel no centro de Florianópolis.

 

Os policiais conseguiram mapear os últimos passos de Aline. A advogada saiu de carro do Distrito Federal no último dia 25. Rodou 919km até Campinas, em São Paulo. Lá, deixou o veículo em um estacionamento. Pegou um ônibus para a Rodoviária do Tietê – terminal de onde partiu, noutro coletivo, rumo à capital catarinense.

Aline desembarcou em Florianópolis no dia 26, à noite. Chegou ao hostel dizendo estar muito cansada. No quarto em que a jovem estava hospedada, foram encontrados bilhetes de passagens de ônibus e também de um estacionamento para carros de Campinas. Havia também alimentos, duas malas, remédios (entre eles, para dor de cabeça e enjoo), uma receita psiquiátrica e, pelo menos, R$ 1.700 em espécie.

Os policiais encontraram o celular da advogada ligado e bloqueado com senha. Embora não tenha feito reserva no hostel, Aline solicitou hospedagem até 9 de julho. Durante os dias em que ficou no local, os funcionários viram a jovem sair do quarto em algumas ocasiões para fazer compras em supermercados da região.

O sumiço
Aline sumiu após almoçar com Irene. Ela deixou a residência, em Sobradinho, dizendo que ia para o Fórum de Brasília. Segundo a mãe, a advogada esqueceu a blusa de frio, retornou e saiu novamente de carro.

Na capital federal, o último registro dela foi feito no mesmo dia (25), em uma agência da Caixa Econômica Federal de Sobradinho. Aline passou no banco para sacar dinheiro. As imagens do circuito interno de segurança flagraram o momento.

No DF, o caso foi investigado pela 13ª DP (Sobradinho) e Delegacia de Repressão a Sequestro (DRS). A família espalhou cartazes por diversas regiões do DF e Entorno e não parou de procurar a moça durante a semana que ficou sem notícias sobre seu paradeiro.

Busque ajuda
Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o assunto não venha a público com frequência, para que o ato não seja estimulado. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

 

Arte/Metrópoles