Leia desabafos de pacientes com câncer sem radioterapia no HRT

Pacientes estariam sendo transferidos para o HUB, mas relatam dificuldade em marcar sessões. Governo nega interrupção de serviço

atualizado 15/12/2021 22:02

PacienteMaterial cedido ao Metrópoles

Os serviços do Centro de Radioterapia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) foram paralisados. Sem tratamento, pacientes com câncer correm risco de vida.

O governo gastou R$ 9,1 milhões para inaugurar o centro em 30 de setembro de 2020. Mas, segundo profissionais de saúde, por falta de um contrato de manutenção, os equipamentos estão parados desde 9 de dezembro desde ano.

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A autônoma Zélia de Cássia Pereira (foto em destaque), de 57 anos, enfrenta um câncer raro no braço. Após cirurgia no Hospital de Base, a moradora do Recanto das Emas marcou 33 sessões de radioterapia no HRT.

Confira o desabafo de Zélia:

“O médico disse que eu não podia faltar a nenhuma sessão. Deveriam ser diárias e consecutivas. Fiz três e a máquina quebrou. Desde sexta-feira passada (10/12) estou sem tratamento. Isso é inadmissível”, denunciou.

Com a interrupção do tratamento, Zélia vive dias de medo e incerteza. “Estou desempregada. Como vou fazer para me deslocar para outro lugar? E como vou voltar para casa? É difícil, misericórdia, questionou.

Moradora de Samambaia, a dona de casa Neuza Constância de Araújo, de 62 anos, também luta para superar um câncer, mas no endométrio. Passou por cirurgia e quimioterapia. Fez 13 sessões de radioterapia no HRT. Faltam 12.

“Essa situação me preocupa. Tinha um cronograma. Temo que essa interrupção atrapalhe o resultado do meu tratamento. E os pacientes que não têm condição de caminhar? Eu consigo. Mas e eles?”, ponderou.

Sacristia

Inicialmente, a Secretaria de Saúde estaria negociando transferência temporária dos pacientes para outras unidades, a exemplo do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

A princípio, as sessões seriam noturnas. No entanto, pacientes com a saúde debilitada temem estar expostos a doenças durante viagens de ônibus, a exemplo da própria Covid-19.

No entanto, segundo profissionais de saúde e pacientes, em conversa reservada com o Metrópoles, o HUB estaria recusando pacientes. Pelo menos 15 foram negados até a tarde de quarta-feira (15/12).

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde. A pasta negou a interrupção dos atendimentos. E prometeu resolver o problema técnico no HRT, sem mencionar data.

Veja a nota completa:

A Secretaria de Saúde esclarece que não houve interrupção nos atendimentos no Centro de Radioterapia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT).  O equipamento com defeito é o sistema de ar condicionado e refrigeração do ambiente (chiller), os serviços de manutenção desse cunho são oriundos da Novacap.

A Diretoria do HRT esclarece que não foram inseridos novos pacientes até que o reparo seja efetuado e as novas solicitações estão sendo encaminhadas para o setor de radioterapia do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Também foi articulada uma parceria junto com uma empresa prestadora de serviços, que está empenhada nos reparos. 

A reportagem também tentou contato com o HUB e o hospital negou a rejeição de pacientes. Por nota, disse estar à disposição para apoiar a Secretaria de Saúde durante a crise no HRT.

Leia o comunicado na íntegra:

O Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) informa que não procede a informação de que houve negativa de atendimento e esclarece que possui condições de assumir a demanda de pacientes que estavam em tratamento de radioterapia no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Assim que recebeu o pedido do HRT, o HUB se colocou à disposição da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para atender a demanda.  

As vagas de radioterapia do HUB são ofertadas para a SES-DF, que agenda e organiza o encaminhamento dos pacientes ao hospital. Atualmente, o HUB tem capacidade para realizar 60 atendimentos de radioterapia por dia em três turnos de trabalho (manhã, tarde e noite). 

O HUB é um hospital universitário, campo de prática para formação de profissionais de saúde. Dentro desse contexto, atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde e nem por gerir toda a oferta de atendimento da região, devendo essa responsabilidade também ser feita por outros atores.

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