Legítima defesa ou homicídio? Morte de médico ainda é mistério

PMs que abordaram endocrinologista e amigo dizem que reagiram à ameaça, mas investigadores têm dúvidas. Sete pessoas já foram ouvidas

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atualizado 04/12/2019 18:02

Após ouvir sete pessoas sobre a morte do médico Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, ocorrida em 28 de novembro, investigadores da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) ainda não sabem se o endocrinologia foi assassinado ou atingido, por engano, pelos policiais militares que o abordaram naquela madrugada, na entrequadra da 314/315 Sul. Os PMs alegam terem reagido a uma ameaça, mas essa versão ainda não ficou comprovada.

O policial militar que atirou contra o médico efetuou dois disparos durante a abordagem. Uma das balas atingiu a cabeça do endocrinologista, que morreu.

De acordo com o delegado adjunto da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Ataliba Neto, já prestaram depoimento sobre o caso: o policial da reserva Ringre Pires Alves, 51 anos, que estava com Luiz Augusto no momento do assassinato; os três militares que realizaram a abordagem; a ex-mulher e a viúva da vítima; e uma testemunha que ouviu os tiros na entrequadra.

“Não há testemunhas oculares. Conseguimos imagens de uma câmera de segurança de um prédio, mas não é possível visualizar o momento do crime porque há uma pilastra bem na frente de onde eles estavam. Vemos a dinâmica, mas não vemos o momento [do homicídio]”, relatou o delegado.

Suspeita de assalto

Segundo Ataliba Neto, os militares informaram à PCDF que realizaram a abordagem a Luiz Augusto e Ringre suspeitando de um possível assalto. “Eles [os PMs] passaram na viatura e deram uma volta na quadra. Dizem que quando apontaram o farol viram o policial da reserva [Ringre] apontando uma arma para eles e, então, o militar efetuou o disparo”, narrou o responsável pela apuração do caso.

“Depois disso, o Ringre teria continuado apontando a arma. Então, eles desembarcaram e foi efetuado outro disparo”, completou. A PCDF ainda aguarda laudo da perícia feito no local para saber qual dos tiros atingiu o médico.

Cerca de 20 minutos após o ocorrido, conforme o delegado, os fatos foram informados para a Polícia Civil. No entanto, por não conseguir comprovar a versão da PM de que os disparos foram efetuados em legítima defesa, a delegada de plantão daquela data optou por não lavrar o flagrante. “Foi instaurado um inquérito policial para apurar um crime doloso contra a vida”, explicou Ataliba Neto.

O que apuramos agora é se realmente houve legítima defesa ou se um homicídio. Segundo os militares, foi legítima defesa com erro de execução. Segundo o Ringre, ele realmente portava a arma, mas não chegou a apontá-la aos policiais, então não houve ameaça a eles

Ataliba Neto, delegado responsável pela investigação

“O agente que pratica erro de execução deve ser responsabilizado como se atingisse quem queria. Nesse caso, se for comprovada a legítima defesa, ele seria responsabilizado, em caso hipotético, pela morte do policial da reserva, sendo eximido de pena”, acrescentou.

Amigo não era segurança

Ainda de acordo com o delegado, Ringre Pires não era um segurança contratado pelo médico, embora ele mesmo tenha afirmado isso em vídeo gravado logo após a abordagem. “As testemunhas que foram ouvidas descartam essa possibilidade. Ele pode ter dito aquilo naquele momento, mas não era pago para isso”, afirmou.

Nos próximos dias, os investigadores irão buscar novas imagens em câmeras da entrequadra e devem ouvir novamente os três PMs e o policial amigo do endocrinologista. Até então, o caso é investigado como homicídio doloso.

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