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Depois de tentativas até no Supremo Tribunal Federal (STF), os deputados distritais investigados no âmbito da Operação Drácon conseguiram acesso ao conteúdo da investigação sobre um suposto esquema de cobrança de propina para aprovação de emenda parlamentar na Câmara Legislativa. A autorização foi dada pelo desembargador José Divino, que é o relator do processo que tramita no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). A decisão é clara ao restringir o acesso apenas aos interessados.

Estão sendo investigados Celina Leão e Raimundo Ribeiro (ambos do PPS), Cristiano Araújo (PSD), Julio César (PRB) e Bispo Renato (PR). A operação foi deflagrada depois que áudios gravados pela distrital Liliane Roriz (PTB) foram entregues ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) com conversas entre os parlamentares.

A autorização foi dada em pedido feito pelo deputado Raimundo Ribeiro e pela Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB/DF). O magistrado autorizou, ainda, a devolução de R$ 16 mil apreendidos debaixo do banco do carro de Cristiano Araújo, no dia da operação, em 23 de agosto, além do documento de licenciamento do carro do ex-presidente do Fundo de Saúde, Ricardo Cardoso, que também é investigado.

Entenda o caso
Liliane teria começado a grampear os colegas no fim do ano passado, quando os parlamentares decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa. Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado e o dinheiro – R$ 30 milhões de um total de R$ 31 milhões – realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços em UTIs da rede pública que estavam atrasados.

Na ocasião, Liliane teria questionado Celina Leão sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir a então presidente da Câmara falando que o “projeto” seria para um “cara” que ajudaria os deputados. Celina disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você (Liliane) tá no projeto, entendeu? Você tá no projeto. Já mandei o Valério (ex-secretário-geral) falar com você.”

Outros parlamentares
As denúncias feitas por Liliane atingem outros distritais, como o Bispo Renato Andrade e Julio César. Segundo é possível ouvir nas gravações, os dois teriam tentado negociar com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com o que Valério Neves diz em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, diz Valério Neves em um dos trechos.

Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explica Valério nos áudios, o deputado Cristiano Araújo teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao falar sobre quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%” e diz ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora à época tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, reforça na gravação que, se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, “teria de ser para todos.

No dia em que foi deflagrada a Operação Drácon, a Justiça afastou Celina Leão, Julio César, Raimundo Ribeiro e Bispo Renato da Mesa Diretora da Casa.

 

 

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