TJDFT mantém condenação de PM que matou por causa de cuspe na varanda

Os desembargadores mantiveram a sentença de 15 anos, seis meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado

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atualizado 16/04/2019 20:13

A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), em decisão unânime, negou recurso de apelação interposto pela defesa do policial militar José Arimateia Costa (foto de destaque), 59 anos, condenado em 1ª Instância por matar o vizinho Adilson Santana Silva, 36, em setembro de 2017, no prédio onde residiam, em Samambaia.

Os desembargadores mantiveram a sentença de 15 anos, seis meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, proferida pelo Tribunal do Júri de Samambaia, em agosto de 2018, a qual não concedia ao réu o direito de recorrer em liberdade.

À época, o réu foi condenado por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum. Segundo os autos, no dia 07/09/17, José Arimatea aborreceu-se ao ver uma marca de cuspe na varanda de seu apartamento e passou a tomar satisfação do vizinho por meio de grupo de moradores no aplicativo WhatsApp.

O confronto entre os dois aumentou quando Adilson falou para José procurá-lo pessoalmente para resolverem a questão. Os dois discutiram, entraram em confronto corporal, tendo a vítima derrubado o réu com um soco. O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa do condenado.

Quando ele se levantou, empunhou uma arma que levava no coldre e atirou contra Adilson, que correu para dentro do apartamento. José atirou mais duas vezes, acertando a vítima que ficou caída dentro da sala. As mulheres de ambos e outro vizinho presenciaram a dinâmica dos fatos e testemunharam no processo.

O crime ocorreu na QI 416 de Samambaia. Em uma das conversas, Adilson garante que não tinha o hábito de cuspir na varanda após escovar os dentes, como acusou o PM. “Cheira essa desgraça e veja se é pasta de dente. Sobe aqui para a gente conversar”, disse Adilson, irritado.

José de Arimateia então enviou, ao grupo de WhatsApp do condomínio, um áudio, em tom jocoso, referindo-se à vítima, que retrucou e chamou o réu para conversar. Depois de discutirem de suas varandas, Adilson desafiou o acusado para subir até o apartamento dele.

O policial pegou um revólver e subiu. Ambos discutiram novamente e chegaram às vias de fato. Um vizinho tentou separar a briga, mas o réu sacou a arma e atirou em Adilson. O acusado fugiu do local, sendo preso dois dias depois no hospital onde foi buscar atendimento médico devido aos ferimentos sofridos.

Confira parte da conversa entre os envolvidos:

 

Logo após o crime, o Metrópoles mostrou, com exclusividade, o registro feito pelas câmeras da garagem do condomínio Portal do Sol, local em que os dois moravam, cerca de 13 minutos depois do início da confusão. As imagens flagraram o policial fugindo.

 

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