Taxista que matou ex a tiros no DF é condenado a 19 anos de prisão

Edilson Januário responderá por feminicídio triplamente qualificado. Crime ocorreu na Quadra 405 do Recanto das Emas em agosto de 2018

ReproduçãoReprodução

atualizado 03/10/2019 7:31

A Justiça condenou o taxista Edilson Januário Souto a 19 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado, pelo feminicídio de Maria Jane de Souza (foto em destaque), 58. O crime ocorreu na noite de 5 de agosto de 2018, na Quadra 405 do Recanto das Emas.

Os jurados acolheram as três qualificadores defendidas pelo Ministério Público. Entre eles, motivo torpe, uma vez que o condenado não aceitava o divórcio e a divisão dos bens. O crime também foi cometido mediate recurso que dificultou a defesa da vítima. Os jurados reconheceram que a ação criminosa ocorreu dentro do contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, pois os dois viviam em relação íntima.

Relembre o caso

Edilson, que tinha 61 anos na época do crime, e Maria Jane foram casados por mais de 20 anos. Em 5 de agosto, ele surpreendeu a mulher no quarto do casal com um disparo de arma de fogo. Ela morreu sem que pudesse receber socorro médico. Na tentativa de induzir a perícia a erros, Edilson arrastou o corpo da ex-mulher, retirou o carro dele da garagem e colocou o automóvel da vítima no local.

A frieza do taxista chocou a vizinhança. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Sérgio Bautzer (27ª DP), há suspeitas de que o homem teria passado o dia bebendo e, quando chegou à residência, discutiu com a ex-mulher. Os objetos da casa ficaram revirados, o que indica briga entre os dois.

O taxista atirou quatro vezes contra a vítima. Maria Jane de Souza tentou fugir, mas não consegui. A vítima caiu quando ia em direção ao portão. “Ele arrastou o corpo dela para dentro da casa. Um vizinho percebeu a movimentação estranha e chamou a polícia”, detalhou o delegado.

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

Com informações do MPDFT

Últimas notícias