A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de habeas corpus do militar do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal Marcelo Rodrigo Gonçalves. Ele foi preso pela Polícia Civil em 5 de dezembro de 2018, acusado de desviar munições de fuzil da Polícia Militar do DF e do Comando do Exército para facções criminosas no Rio de Janeiro.

Na decisão de 25 de fevereiro deste ano, o juiz da 3ª Vara Criminal de Brasília, Aragone Nunes Fernandes, ressalta que o acusado integra uma organização criminosa e completa: “Vale lembrar que o fato de o requerente possuir, eventualmente, as condições pessoais favoráveis não garante, de per si, direito à revogação se outros elementos recomendam a necessidade de custódia preventiva. Da mesma forma, inexistentes fundamentos para fixação de monitoração eletrônica”, anotou o magistrado.


“Fogo amigo”
Batizada de Fogo Amigo, a ação deflagrada pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e aos Crimes contra a Ordem Tributária (Cecor) cumpriu mandados de prisão temporária contra sete suspeitos.

Marcelo Gonçalves aparece nas investigações no topo do organograma do esquema criminoso, sendo responsável por viabilizar os desvios com a ajuda de terceiros.

Abaixo dele, estão os atravessadores – com a função de planejar e executar o transporte das munições de uso restrito até que as encomendas chegassem a morros do Rio. O cliente mais habitual, segundo a apuração, é o Comando Vermelho. O receptador de uma das remessas, no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, foi identificado como “Macaquito”.

 

Entre os mandados de prisão à época, dois foram cumpridos no Rio de Janeiro, contra Eduardo Vinícius Brandão e William Sebastião Pessoa, que já estavam detidos. O restante dos alvos estava no Distrito Federal, onde também foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão.

As diligências começaram a partir da prisão de Eduardo e William, com o apoio da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O primeiro foi flagrado em fevereiro do ano passado ao tentar retirar 1.529 munições de fuzil de uma transportadora de cargas, no Rio. Em junho, William teve o mesmo destino ao ser surpreendido na BR-040 com 1.390 projéteis escondidos em um carro de passeio.

A origem das munições acendeu o sinal de alerta dos investigadores: tinham sido compradas pela Polícia Militar do DF e Comando do Exército, segundo informou a empresa fabricante, que marca todos os projéteis vendidos a órgãos de segurança pública por determinação do Estatuto do Desarmamento. A partir desses dados repassados pela polícia do Rio, onde os dois homens continuam presos, os policiais de Brasília aprofundaram as apurações, chegando aos demais suspeitos.

O esquema ocorria desde pelo menos 2017, conforme as diligências mostram. “É possível constatar a atuação de uma organização criminosa responsável pelo desvio de munições compradas pelo Estado para posterior revenda para facções criminosas instaladas no Rio de Janeiro, em especial o Comando Vermelho”, apontou o inquérito.

Munições apreendidas