Justiça concede liberdade à mãe que envenenou gêmeas, mas manda interná-la

Internação em clínica psiquátrica é provisória e a mulher está impedida de se aproximar das crianças

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 24/07/2020 18:20

O Tribunal do Júri de Sobradinho concedeu liberdade à mãe acusada de envenenar as filhas gêmeas com chumbinho. A mulher, contudo, deverá ser internada em uma clínica psiquiátrica. A decisão foi tomada durante audiência de custódia nesta sexta-feira (24/7).

Segundo a Justiça, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) “não viu necessidade da prisão preventiva da autuada diante das peculiaridades do caso”. O órgão pediu a liberdade provisória da acusada, desde que o Tribunal do Júri adotasse medidas cautelares.

Entre as recomendações, o MPDFT pediu proibição de aproximação da mulher com as filhas e sua internação. Diante da manifestação, a Justiça afirmou que “a prisão preventiva também não se mostra indicada diante do quadro de saúde apresentado pela autuada”.

Dessa forma, o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) decidiu afastar a mãe do contato com as gêmeas e proibiu que se aproxime das vítimas. Ela também está impedida de deixar a capital do país e, por fim, foi determinada sua internação psiquiátrica de forma provisória.

Dupla tentativa de homicídio

A mulher foi autuada em flagrante nessa quinta-feira (23/7) por dupla tentativa de homicídio qualificado por envenenamento. O caso é apurado na 13ª Delegacia de Polícia (foto em destaque), em Sobradinho.

Antes de cometer o crime, a mãe das gêmeas escreveu uma carta com orientações a serem seguidas por familiares. No texto, obtido pelo Metrópoles, a mãe explica que teria acabado de matar as meninas, as cachorras da família e cometido suicídio em seguida.

Veja a carta:

 

As vítimas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que conseguiu reverter o risco de morte e encaminhou mãe e filhas imediatamente ao hospital.

“Ela tinha a intenção de, além de tirar a própria vida, também matar as duas filhas”, disse o delegado Hudson Maldonado, responsável pela investigação.

Veja o que disse o delegado responsável pelo caso: 

 

Ainda de acordo com Maldonado, as investigações apontam para o estado de depressão da vítima. “Com certeza precisa também de um tratamento psiquiátrico.”

As gêmeas passam bem, mas seguem internadas, em avaliação, no HRS. Após receberem alta, ficarão à disposição do Conselho Tutelar.

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Busque ajuda

O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

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Arte/Metrópoles

 

Disque 188

A cada mês, em média, mil pessoas procuram ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV). São 33 casos por dia, ou mais de um por hora. Se não for tratada, a depressão pode levar a atitudes extremas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dia, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil. Hoje, o CVV é um dos poucos serviços em Brasília em que se pode encontrar ajuda de graça. Cerca de 50 voluntários atendem 24 horas por dia a quem precisa.

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