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O Tribunal do Júri de Brasília julga nesta terça-feira (10/4) Anderson Vieira Brito, 18 anos. O homem é acusado de matar o assistente de chancelaria do Itamaraty Josué Nóbrega Pereira (foto em destaque), 31, em outubro de 2016, no Bloco B da 307 Sul.

Anderson responde por homicídio triplamente qualificado e furto. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), entre as 23h do dia 18 de outubro de 2016 e a madrugada seguinte, o suspeito estava no apartamento de Josué e, após um desentendimento, asfixiou a vítima com as mãos e um cinto.

A sessão começou com o depoimento de duas testemunhas. Segundo disse um policial militar que atendeu a ocorrência no dia do crime, num primeiro momento, ao ser abordado, o acusado mentiu. Anderson teria dito que o automóvel levado da vítima pertencia a um amigo, mas depois os PMs constataram tratar-se de produto de furto.

Anderson Brito assumiu o crime e disse ter matado Josué Pereira após se desentenderem durante um programa sexual. O acusado relatou que o servidor parou o veículo em um ponto de ônibus do Shopping Conjunto Nacional e eles seguiram para a casa de Josué. Depois de terem relações sexuais, o homem se negou a pagar o preço combinado. Em seguida, o acusado deu uma gravata na vítima e a asfixiou.

Segundo Anderson, ele deu um golpe em Josué e depois usou um cinto para deixar o homem inconsciente. A intenção, de acordo com ele, não era matar"
Policial que atendeu ocorrência

Muito emocionada, a irmã de Josué, Cleide Nóbrega, foi a segunda a ser ouvida. Segundo a mulher disse, a família sabia que o servidor era homossexual. “Ele tinha um namorado, mas não era esse rapaz. Meu irmão foi covardemente morto dentro da própria casa. Era um homem de 31 anos muito próximo e cuidadoso com a minha mãe e as duas irmãs que tinha. Conquistou muita coisa na vida, mais ainda queria ser diplomata. Esse rapaz, por um motivo fútil, acabou com os sonhos do Josué e precisa pagar pelo que fez”, desabafou.

Cleide comentou que a mãe, de 71 anos, foi a primeira a encontrar o filho morto no apartamento. “Ele morava só e, como ela estava sem notícias, resolveu visitá-lo. É uma cena que não sai da cabeça dela. Encontrou meu irmão morto dentro do quarto”. Hoje, a idosa toma remédios para conter as crises de ansiedade e pânico.

Anderson também prestou depoimento. Aparentemente tranquilo, o réu assumiu o crime, mas confirmou que a intenção não era matar a vítima. “Após a relação, enquanto me vestia para ir embora, ele me puxou pelo braço de forma agressiva e disse que, se eu não assumisse o papel passivo, não me pagaria pelo programa”, afirmou.

A reação que tive foi para me defender. Peguei o cinto que estava em cima da cama e o enforquei. Eu me senti ameaçado. Quando vi sangue saindo do nariz dele, desesperei, peguei a chave do carro e fui embora"
Anderson, durante o julgamento

Ele assumiu que trabalhava como garoto de programa havia dois anos e mantinha relações com homens e mulheres.