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O garoto de programa Anderson Vieira Brito foi condenado a 15 anos e 3 meses de prisão, além de 10 dias-multa, pelo assassinato do assistente de chancelaria do Itamaraty Josué Nóbrega Pereira, em outubro de 2016, no Bloco B da 307 Sul.

Anderson, 19 anos, foi julgado pelo Tribunal do Júri de Brasília nesta terça-feira (10/4), pelos crimes de furto e homicídio triplamente qualificado. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), os delitos aconteceram após uma discussão sobre o preço acordado de um programa.

Irritado, Anderson asfixiou com um cinto o assistente de chancelaria do Ministério de Relações Exteriores (MRE), no apartamento do servidor. E, antes de fugir com o carro de Josué, um Peugeot 208, furtou pertences da vítima.

O assassino foi encontrado no dia seguinte ao ocorrido, enquanto conduzia o veículo de Josué, no Paranoá. À Polícia Civil, o garoto de programa confessou os crimes.

Em um dos momentos de maior comoção do julgamento, a acusação apresentou uma gravação com fotos e vídeos feitos por familiares de Josué. Alguns não conseguiram conter a emoção e tiveram que ser amparados. A tia da vítima estava inconsolável.

“Filme de terror”
Segundo a acusação, as imagens mostram que Josué fora vítima de agressões mesmo antes da asfixia. “Nós temos sangue jorrando pelas paredes de todo apartamento. Ele já estava sendo agredido por Anderson antes mesmo de ser asfixiado. É uma cena de filme de terror”, disse o promotor Marcello Oliveira de Medeiros.

Medeiros ainda contestou a justificativa dada pela defesa de que Anderson teria tentado se defender de uma possível agressão de Josué. “É algo inaceitável a alegação de legítima defesa. Demora mais de quatro minutos para se asfixiar e matar uma pessoa. Foi um gesto de quem queria efetivamente matar”, rebateu Medeiros.

Os jurados concluíram que “absolver o acusado é aceitar a conduta do mesmo como justificável e passível de ser aceita pela sociedade. Ele não pode sair andando tranquilamente depois de cometer um ato tão violento como esse e tão abominável”.

A promotoria ainda pediu um agravamento da pena do réu. “O Código Penal defende que a morte por asfixia implica punição mais grave, pois a vítima é submetida a um maior sofrimento.”

Facebook/Reprodução

Josué foi assassinado em 2016, aos 31 anos

 

Defesa
Os advogados do réu abriram a defesa lamentando “as vidas que foram destruídas”. “Sabemos que o tempo não volta atrás. Hoje, não tem ganhador, todos nós saímos perdendo”, disse o defensor Everton Soares de Oliveira Nobre.

Na sequência, a defesa justificou que Josué não teria cumprido com o valor acordado inicialmente entre ele Anderson. Isso teria levado o jovem a entrar em discordância com o servidor, mas o rapaz “não teve intenção de matar”. “Se houve, de fato, uma discussão e uma luta corporal, não há como acreditar que Josué não teve como não se defender das agressões”, disse Nobre.

Para a defesa, foi o contexto social de Anderson que levou o jovem a agir daquela maneira. “Teve infância difícil, marcada pela ausência dos pais. Não podemos esperar que as pessoas reajam da mesma forma em diferentes situações”, explicou o advogado.

Os argumentos, contudo, não foram acatados pelos jurados.