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O juiz titular da 4ª Vara Criminal de Brasília condenou a 25 anos de reclusão Daniel de Sousa Andrade. Ele matou o estudante da Universidade de Brasília (UnB) Arlon Fernando da Silva (foto em destaque), 29 anos, na noite de 7 de dezembro de 2017, para roubar a sua bicicleta. Cabe recurso à decisão.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ofereceu acusação na qual narrou que o réu abordou a vítima enquanto ela transitava pela ciclovia próxima ao Eixo Monumental, em frente à Câmara Legislativa, quando anunciou o assalto e a agrediu com golpes de faca, causando-lhe os ferimentos relacionados à sua morte.

Consta ainda que, enquanto a vítima agonizava e pedia socorro aos motoristas passando pela localidade, Daniel pegou a bicicleta e fugiu em direção à Rodoviária do Plano Piloto. Por fim, o MPDFT narrou que ele teria vendido peças do veículo roubado, pois tais componentes foram apreendidos em posse de um acusado por crime de receptação sendo apurado em outro processo.

De acordo com o magistrado, “a materialidade do crime está comprovada pela farta prova documental acostada aos autos, destacando-se o termo de ocorrência policial, o laudo de exame cadavérico e o Exame de Vestígios de Sola. […] No que toca à autoria, a prova é inquestionável, não só pela confissão espontânea do réu como também pelos demais elementos probatórios coligidos aos autos, muito especialmente pela bem-elaborada apuração feita pela polícia judiciária e seus órgãos técnicos auxiliares”.

 

Ficha extensa
O criminoso gostava de se gabar com amigos. Dizia ter “sangue no olho” e que resolvia tudo “na mão grande”. A ficha corrida dele é extensa. Em 28 de outubro de 2015, Daniel atacou um servidor do Exército que andava de bicicleta próximo ao Museu do Índio. À época, o ladrão usou um pedaço de madeira para agredir o militar.

A vítima caiu no chão, mas conseguiu atirar no criminoso, que acabou preso. Condenado a 2 anos e 9 meses de prisão no semiaberto, ficou detido por quatro meses até ser beneficiado pela progressão para o regime aberto.

Divulgação/PCDF

Daniel foi condenado a 25 anos de reclusão

 

Em 20 de setembro de 2017, voltou a agir. Esfaqueou, de acordo com a polícia, um servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), no Eixo Monumental. O objetivo também era levar uma bicicleta.

Em ação conjunta, a Polícia Civil e a Polícia Militar chegaram a Daniel depois de localizar o receptador das peças da bicicleta de Arlon: Luiz Carlos dos Santos Ramos, 22 anos. Ele contou que, tão logo soube do crime, tentou devolver os componentes – rodas, sistemas de freio e manetes –, mas não conseguiu efetuar a troca (veja vídeo abaixo).

Veja os vídeos divulgados pela polícia:

 

Câmeras
Os investigadores da 5ª Delegacia de Polícia tiveram acesso a uma série de imagens gravadas por câmeras de segurança instaladas em diversos prédios públicos ao longo de todo o Eixo Monumental. Os vídeos possibilitaram traçar a rota de fuga usada pelo assassino. Após cometer o crime, o suspeito desceu pela via N1, na contramão. Em disparada, ele passou pelo Ginásio Nilson Nelson, Rodoviária do Plano Piloto, Congresso Nacional e Palácio do Planalto.

 

Depois de percorrer o Setor de Clubes e cruzar a Ponte JK, o criminoso seguiu pela pista que dá acesso à Barragem do Paranoá. Ele continuou até chegar ao condomínio Del Lago, onde mora.

Na noite do dia 15 de dezembro de 2017, investigadores da 5ª DP e equipes da PM buscavam o suspeito, que estaria escondido em algum ponto do Paranoá. A ação contou com o apoio de um helicóptero da Polícia Civil. Porém, o acusado não havia sido encontrado naquela ocasião.

Vítima se defendeu
Um dia após a morte de Arlon Fernando, o Metrópoles teve acesso à necrópsia feita no corpo do estudante. Segundo um perito do Instituto Médico Legal (IML), pelas características dos ferimentos, o doutorando da UnB reagiu à ação do criminoso. A informação foi confirmada semanas depois, quando o IML divulgou o laudo sobre a morte.