Jovem de 17 anos também denunciou fotógrafo de Águas Claras por assédio em 2020

Ocorrência de assédio sexual foi registrada contra o empresário em delegacia de Ceilândia em dezembro do ano passado

atualizado 10/06/2021 18:00

Arquivo pessoal

Depois da modelo e enfermeira Jeniffer Melina Mendes Meneses, 24 anos, expor nas redes sociais e denunciar à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) o assédio sexual cometido por um fotógrafo da capital, o Metrópoles teve acesso a outra denúncia contra o mesmo profissional.

Outra ocorrência foi registrada por uma adolescente de 17 anos na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia centro), em dezembro de 2020.

Segundo o registro, sigiloso por ter ocorrido contra menor de 18 anos, a jovem passou por situação semelhante à de Jennifer, também de assédio sexual. A vítima pontuou que o caso ocorreu em 2018 quando ela foi indicada por um professor da escola onde estudava para ser modelo na agência do fotógrafo. O estúdio fica em Águas Claras.

De acordo com a ocorrência obtida pela reportagem, a adolescente fez trabalhos fotográficos pela agência, mas nunca foi remunerada por nenhum dos serviços que realizou, apenas recebeu dinheiro das passagens de ônibus.

Após alguns ensaios, o fotógrafo teria indicado uma “modelo exemplo” para conversar com a adolescente e passar dicas sobre o trabalho.

No entanto, o perfil da modelo indicada, possivelmente falso e administrado pelo próprio fotógrafo, que se passava por uma mulher, ressaltava a necessidade de a adolescente trabalhar o corpo, manter o bumbum grande e mostrar os seios durante as sessões fotográficas. Ainda dava dicas de como ela deveria se vestir e usar blusas marcando o peito.

Em outra oportunidade, o fotógrafo teria entrado em contato com a jovem para marcar fotos em uma lancha no Lago Paranoá e avisou que a adolescente deveria usar um biquíni, que tamparia somente o necessário.

Ao se sentir constrangida com toda a situação, a adolescente resolveu buscar mais informações sobre o empresário e descobriu, por meio das redes sociais, outras vítimas dele. A ocorrência foi registrada pela 15ª DP como constrangimento ilegal e crimes praticados contra a criança e o adolescente, seguindo para investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

“Me pediu para ficar nua”

Nesta quinta-feira (10/6), o Metrópoles divulgou a história da modelo e enfermeira Jeniffer (foto de destaque).

A PCDF investiga a denúncia de assédio sexual feita pela modelo contra o fotógrafo do DF. A jovem registrou ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), na última terça-feira (8/6), que apura o caso.

O nome do fotógrafo, que tem um estúdio em Águas Claras, ainda não será divulgado pelo Metrópoles porque o processo está em fase de investigação, e a PCDF não apresentou denúncia formal contra ele, ainda em liberdade.

Nessa quarta (9/6), um dia após registrar a ocorrência na Deam, a jovem usou o próprio perfil na rede social Instagram para relatar o caso e estimular outras meninas que se encontram na mesma situação a também denunciarem o homem.

Segundo Jeniffer, tudo começou quando ele a procurou, em março deste ano, pelas redes sociais, e perguntou se ela teria interesse em fazer parte da agência dele.

Imagens da modelo:

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Jeniffer marcou um encontro pessoalmente no escritório do fotógrafo, que pediu que ela não estivesse acompanhada no dia da reunião.

“Eu fui, e ele me explicou que o intuito era ajudar, me fazer crescer. Como ele passava bastante credibilidade, a empresa existe desde 2008 e tem muitos seguidores nas redes sociais, acreditei. Na hora de fazer a avaliação, me pediu para ficar completamente nua e disse que era procedimento padrão. Não tenho problemas com ensaio nu feminino, e não me importei naquele primeiro momento”, contou.

Após o primeiro ensaio, o agenciador assinou contrato com Jeniffer e prometeu para a modelo diversos trabalhos, tratamentos de beleza e matrícula em academia de ginástica. Porém, ele não arcou com os custos e pagou somente a primeira mensalidade da jovem. Neste momento, Jeniffer começou a desconfiar dele.

“Ele começou a dizer que eu precisava fazer ensaios nua. A orientação era para que eu me tocasse durante as sessões. Foi aí que eu disse que não iria me tocar e indaguei para quem eram as fotos. Ele disse que vendia para interessados e pessoas do meio político. Que eu iria conseguir muito dinheiro por cada foto, mas precisaria fazer de acordo com as exigências que ele estava pedindo”, denunciou.

Quando o fotógrafo percebeu a resistência da jovem em fazer o que ele pedia, optou por rescindir o contrato via e-mail.

Investigação

Ao desconfiar que outras mulheres também estivessem na mesma situação que ela e sofrendo abuso por parte do fotógrafo, a modelo contatou outras meninas da agência e descobriu não ser a única assediada.

“De cara, duas meninas me relatam que estavam sofrendo o mesmo assédio. Uma delas é menor de idade. Juntamos diversas provas e entregamos mais de 450 prints de conversas que ele mantinha com as agenciadas para a Delegacia de Atendimento à Mulher. Eu não sei onde foram parar as minhas fotos”, acrescentou.

Veja prints que Jeniffer disponibilizou na delegacia e expôs nas redes:

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Depois da denúncia, foi constatado que já existe outras duas denúncias contra o fotógrafo que atua no DF, relatando a mesma situação das modelos.

Exposição

Ao Metrópoles, a jovem reforçou que não ficará mais calada. Pontuou ainda que ao expor o caso nas redes sociais, já recebeu relatos de pelo menos outras 30 meninas que também sofreram assédio do empresário. Inclusive de jovens que chegaram a ser tocadas pelo homem.

“Estou muito triste e, por outro lado, aliviada. Jamais imaginaria que receberia tanto apoio e que as pessoas, de fato, acreditariam em mim. Eu vou registrar e espero Justiça. Vou até o fim para que isso não fique assim. A minha família está ao meu lado e nós vamos conseguir provar tudo.”

Ela também disse que o fotógrafo mandou mensagem para ela depois das publicações no Instagram. “Eu bloqueei ele. Não vou responder mais. Agora, só quero encontrá-lo perante a Justiça.”

Jeniffer diz ter resolvido expor o caso para que outras meninas possam enxergar o absurdo da situação e saibam se posicionar ao se depararem com atitudes como as relatadas por ela.

Empresa

O Instagram da empresa do suspeito tem mais de 43 mil seguidores e atua no mercado desde 2008. A reportagem tentou entrar em contato por telefone com o fotógrafo, mas não obteve retorno. As redes sociais são privadas e também não foi possível enviar mensagens. O espaço segue aberto para manifestação e defesa do fotógrafo.

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