Homem que matou os pais e feriu a irmã em Águas Claras é mantido preso

Segundo o juiz, ainda não há indícios de que Marcelo Ribeiro Gonçalves Ferreira, 38 anos, não pode responder pelos próprios atos

atualizado 25/02/2021 21:28

Duplo homicídio em Águas ClarasHugo Barreto/Metrópoles

A Justiça do DF decidiu que o homem preso em flagrante após matar os pais e esfaquear a irmã em um prédio de Águas Claras (foto em destaque) será mantido em cárcere. Essa foi a conclusão da audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (25/2). Para o juiz, ainda não há elementos indicativos de inimputabilidade de Marcelo Ribeiro Gonçalves Ferreira, 38 anos.

O responsável pelo crime não compareceu à audiência por ter sido internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Para o juiz do Núcleo de Audiência de Custódia (NAC) do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), os fatos apresentam “extrema gravidade concreta” e a forma como agiu o réu demonstra “especial periculosidade, ousadia ímpar e desprezo pela vida humana”.

O magistrado frisou que, até o momento, não há nos autos elementos indicativos de que Marcelo não pode responder pelos próprios atos. Dessa forma, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva e o inquérito policial será encaminhado para o Tribunal do Júri de Águas Claras, onde o processo irá tramitar.

Esquizofrenia

Quando os primeiros policiais militares chegaram ao local da tragédia, Marcelo Ribeiro Gonçalves Ferreira estava imóvel. Em uma espécie de transe e prostrado em um sofá, com mãos e pés feridos e ensanguentados, o homem não esboçou qualquer reação ao ser colocado em uma maca e levado para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT), onde recebeu atendimento.

Banhado em sangue, o apartamento da família, em um prédio de Águas Claras, foi palco da morte de Leila Ribeiro Gonçalves Ferreira, 71 anos, e de Rubem Luiz Correa Ferreira, 73, pais de Marcelo. O duplo homicídio do casal aconteceu por volta das 10h30 de quarta-feira (24/2), no Edifício Atrium, na Rua 19 Sul. Ali também foi esfaqueada a irmã de Marcelo, Luciana Ferreira Garcia, 53. Ela foi levada ao pronto-socorro do HRT, onde ficou internada.

Veja fotos do local do crime: 

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Sem qualquer dúvida sobre a autoria do crime, a polícia indiciou o homem por duplo homicídio, mas investigadores da 21ª DP (Taguatinga Sul) ainda procuram respostas para a motivação da barbárie. As buscas se concentram em prontuários e históricos médico e psiquiátrico que confirmem o quadro de doença esquizofrênica do suspeito. Os agentes também analisam imagens registradas por câmeras do circuito interno de segurança do edifício.

O Metrópoles apurou que o homem morou boa parte de sua vida com os pais, em Goiânia (GO), e teria se mudado há pouco tempo para o Distrito Federal, a fim de tocar a vida de forma mais independente. Com capital social de R$ 1 mil, Marcelo tinha uma microempresa. Ele atuava no ramo varejista de suvenires, bijuterias e artesanato. O empreendimento permanece ativo no site da Receita Federal.

Solitário

A informação levantada pela polícia é a de que Marcelo não tinha amigos no prédio e não socializava com vizinhos. De acordo com alguns moradores, ele evitava contato, inclusive nas áreas comuns. Um dia antes do crime, o assassino havia passado mal em um supermercado e chegou a receber massagem cardíaca de uma enfermeira após sentir dificuldade para respirar.

Os pais, que ainda moravam em Goiânia, tinham pedido aos porteiros para que fossem avisados sobre qualquer situação atípica. Era intenção do casal, que viajou até Águas Claras a fim de visitar Marcelo nessa quarta, de comprar um imóvel para o filho. Agora, peritos do Instituto de Criminalísticas (IC) traçam a dinâmica de como ocorreu o crime.

Marcelo permanece internado no HRT sob escolta policial. Existe a possibilidade de ele ser transferido para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade. Também é estudada a transferência do acusado para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde deve ser submetido à avaliação psiquiátrica.

“Fiquei em choque”

Funcionários do prédio foram os primeiros a chegarem ao local da tragédia. “Eu entrei, vi aquela cena. Fiquei em estado de choque. Ele não falou nada, também não consegui perguntar. Saí e chamei a polícia”, contou um deles ao Metrópoles.

O empregado do prédio disse que os pais de Marcelo chegaram ao apartamento na quarta-feira, após o filho passar mal em um supermercado. No meio da manhã, a irmã do acusado desceu correndo, com um corte abaixo da axila, pedindo ajuda. “Ela dizia que ele (o irmão) mataria o pai e a mãe. Pediu socorro”, relatou o funcionário.

Segundo a testemunha, a irmã foi a primeira a ser atingida pelas facadas. Assim que recebeu o golpe, ela saiu correndo para pedir ajuda. Quando os empregados do edifício subiram para a quitinete de Marcelo, eles o encontraram deitado no sofá, paralisado. A faca usada no crime ficou cravada no pescoço do pai.

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