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Em 5 de novembro do ano passado, o Brasil se comoveu ao ver, ler e ouvir relatos do desastre ambiental em Mariana (MG), devastada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Samarco. A reação da população foi imediata. Muitos uniram esforços e enviaram carregamentos de água mineral aos desabrigados. Coletivos do Distrito Federal, no entanto, decidiram fazer mais. Batizado como #Ocupeoriodoce, o movimento encabeçado por quatro grupos da capital promete levar para Mariana projetos e oficinas de reaproveitamento dos recursos naturais.

Uma semana após a tragédia, o Movimento Ocupe o Lago, o Comitê Estudantil pelo Meio Ambiente (Cema-UnB), o Engenheiros sem Fronteiras e o Longsisters BSB uniram-se para promover o bem. A ideia dos quatro grupos é prover uma forma de abastecimento de água para a população local. Escassez desse recurso e falta de saneamento básico são os problemas principais que surgiram após o rompimento da barragem de Fundão, na cidade mineira.

O coordenador de comunicação do Movimento Ocupe o Lago, Tony Lopes, 35 anos, explicou que o movimento tentou pensar em soluções replicáveis. “Não queríamos levar propostas que se esgotassem em pouco tempo. Nossas propostas poderão ser repassadas por gerações”, explica.

Michael Melo/MetrópolesEngenheiros ambientais e florestais, biólogos, geólogos e gente disposta a sair da zona de conforto elaboraram, após oito encontros, dois projetos para a cidade mineira. “Nossas ideias são calcadas no conceito da permacultura, sistema que busca a criação de ambientes humanos sustentáveis e em equilíbrio com a natureza”, aponta a coordenadora do Cema e estudante de engenharia florestal Jady Rafaela Caitano (foto), 28 anos.

Cisternas
Para o armazenamento de água, a alternativa desenvolvida pelo coletivo é a construção de cisternas de ferrocimento (argamassa de cimento e areia sobre uma trama de barras de aço finas) que aproveitarão as águas pluviais. Já para o tratamento de esgoto, bacias de evapotranspiração, conhecidas popularmente como “fossas de bananeiras” – sistema fechado de tratamento de água negra usada na descarga de sanitários convencionais –, foram indicadas na falta de estrutura para saneamento básico. As duas tecnologias foram orçadas em cerca de R$ 6 mil.

Os nomes das tecnologias podem até assustar, mas são propostas muito simples e fáceis de serem executadas. Esses modelos poderiam, inclusive, ser replicados em áreas mais carentes do DF"
Bárbara Bressan, 30 anos, engenheira eletricista e secretária de projetos dos Engenheiros sem Fronteiras

O planejamento dos voluntários é realizar duas expedições em março à cidade de Mariana para concretizar a ação. A primeira viagem, marcada para o dia 3, tem como objetivo mapear a situação do local e listar as famílias que serão beneficiadas. A segunda, com saída no dia 22 — Dia Mundial da Água —, terá duração de uma semana e visa instalar as soluções apresentadas pelo grupo. Durante esse período, palestras, workshops e orientações serão repassadas a autoridades, moradores e outros voluntários que desejem ajudar.

Para arrecadar fundos a fim de custear as viagens e os projetos, o coletivo quer criar parcerias com empresas privadas e deve lançar uma campanha de financiamento coletivo na internet. A primeira expedição levará oito técnicos, por cinco dias, a Mariana, ao custo aproximado de R$ 13.800. Já a segunda viagem ao interior mineiro demandará mais recursos. Prevista para oito técnicos por sete dias, a estadia sairá por aproximadamente R$ 18.700.

As soluções propostas pelo movimento serão testadas por aqui mesmo no Distrito Federal. Na segunda quinzena de fevereiro, a região rural de Sobradinho dos Melos, no Paranoá, receberá as tecnologias que serão oferecidas à população de Mariana.

 

 

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