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Um dos projetos mais conhecidos na área social do Distrito Federal volta com forças redobradas em 2018. Em fevereiro e março, o Fotolata investe nas ações que o tornaram referência na capital federal: a fotografia como ferramenta social.

Por meio de oficinas que congregam professores e alunos de escolas públicas, o projeto celebra a fotografia artesanal e compartilha ensinamentos técnicos sobre o ofício, sempre investindo em didáticas que envolvam as crianças.

Criado em 2000 pelo fotógrafo Zé Rosa, o Fotolata alcançou milhares de alunos ao longo dos anos e deixou um significativo legado de interferência social. Em 2014, no entanto, o projeto sofreu uma perda irreparável com a morte de Zé Rosa, aos 57 anos, em virtude de complicações médicas.

“Por mais difícil que seja aceitar que ele tenha nos deixado, Zé deixou uma obra incrível, que mantém sua memória e seu trabalho vivos”, comenta a viúva Gleici Rosa, que passou 15 anos ao lado do fotógrafo.

Desde então, tem sido grande o esforço de levar a inciativa adiante, principalmente pelas mãos do também fotógrafo Ádon Bicalho, 29. Depois de trabalhar como assistente de Zé Rosa em alguns projetos, Ádon resolveu dar continuidade à ideia, com anuência de Gleici. Em 2018, o Fotolata voltou a receber apoio de editais públicos e conseguiu se reorganizar para colocar em prática todas as ações desenhadas por Zé Rosa.

“Além de aprenderem sobre o processo fotográfico, os estudantes têm a chance de treinar o olhar, algo essencial em um panorama atual de selfies”, comenta Ádon. Ele relembra que todas as oficinas contam com o apoio do trailer do Fotolata, onde a “mágica” acontece. Ali, os alunos são instruídos sobre o desenvolvimento da foto, da forma mais rudimentar possível, antes de saírem pelo pátio fotografando por meio das tradicionais latas com apenas um furo no meio, ou “o olho”, como chamava Zé Rosa.

São três dias de atividades em cada escola, sendo o último dia reservado para uma exposição com as fotos dos alunos. Durante fevereiro e março, a iniciativa passa por centros de ensino no Paranoá (a partir de 19 de fevereiro), em São Sebastião (a partir de 26 de fevereiro), em Ceilândia (a partir de 6 de março) e no Guará (a partir de 13 de março).

No último domingo de abril, o Fotolata responde ainda pelas celebrações do Pinhole Day em Brasília, que comemora mundialmente a fotografia pinhole (ou estenopeica), voltado para quem se aventura pelo campo sem uso de lentes. Só com conhecimento e muita criatividade.