Festa da posse: turistas viajam 2,4 mil km e fazem ceia no DF dia 31

Famílias de vários cantos do Brasil se conheceram no acampamento que abriga os motor-homes e decidiram confraternizar a virada do ano juntas

atualizado 01/01/2019 9:33

Igo Estrela/Metrópoles

Em clima de completa confraternização, viajantes de várias regiões do Brasil se uniram para dividir a mesa com desconhecidos e celebrar o primeiro dia do ano. Com os motor-homes estacionados no Albergue da Juventude, na Asa Norte, eleitores do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e suas famílias juntaram os pratos para esperar a chegada de 2019 e acompanhar a cerimônia de posse na Esplanada dos Ministérios.

Dono de uma fábrica de travesseiros em Gravataí (RS), Celestino da Silva Rúbeo, 60 anos, acompanhado da esposa e da filha, percorreu, em um ônibus adaptado, os 2.400 quilômetros que separam a capital federal da cidade gaúcha. O veículo, comprado de um verdureiro 18 anos atrás, é usado em projetos sociais na cidade e já levou Celestino e a família a muitos destinos turísticos. Pela primeira vez, eles estão numa missão cívica.

Vestido com uma camisa de Bolsonaro inspirada no pôster do filme O Poderoso Chefão, Celestino, ou Tino, como prefere ser chamado, disse que tem como objetivo acompanhar a posse do candidato que elegeu para a Presidência da República, mas não se esqueceu da ceia da virada.

“No campismo é assim: a gente chega, conhece as pessoas e acaba desenvolvendo uma amizade. Nós vamos juntar as famílias dos motor-homes e festejar todo mundo junto. Vou fazer bife na chapa com cebola, tomate e queijo. E cada família vai trazer uma sobremesa”, descreve.

Para a cerimônia, o gaúcho trouxe sete camisetas com a estampa do presidente ou relacionadas àquelas usadas pelo então candidato do PSL durante a campanha. “Tenho uma para cada dia da semana”, brinca.

A família Pedroso, também do Rio Grande do Sul, viajou por mais de 2 mil quilômetros desde quando saiu de Bom Retiro do Sul rumo a Brasília para participar da posse de Jair Bolsonaro. Luiz Carlos Pedroso, policial militar aposentado, espera uma cerimônia emocionante e aprova as medidas de segurança. “Será uma bela festa e uma ótima confraternização.”

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De São Bernardo a Brasília
Morador de São Bernardo do Campo (SP), o médico Mário Correia do Amaral Filho, 62 anos, chegou a Brasília acompanhado da mulher, do irmão e do sobrinho. Para ele, o país precisa de mudanças, e o “despertar do brasileiro” ocorreu durante as manifestações de 2013. “Eu participei dos atos na [Avenida] Paulista com quase 2 milhões de pessoas. Precisamos ir às ruas quando achamos que alguma coisa não está certa”, lembra.

A família paulista se preparou para não passar a virada do ano em branco. Na geladeira, vinho, espumante e cerveja. No cardápio do jantar, uma das superstições mais comuns do réveillon: comer lentilha. “Para trazer prosperidade”, acredita Valdete Cruz Malassise do Amaral, fisioterapeuta e esposa de Mário Correia.

Irmão do médico, Luís Correia do Amaral, 64 anos, professor aposentado, acredita que é preciso torcer para que o Brasil dê certo, independentemente de ser de esquerda ou de direita. “Eu nunca votei no Lula nem no PT mas, quando ele foi eleito em 2002, torci para o governo dele dar certo. A gente tem que torcer para as coisas caminharem, seja quem for que estiver no poder”, opina.

Durante o caminho de São Bernardo até o Distrito Federal, a família passou por um parque aquático em Olímpia, em São Paulo, e visitou Pirenópolis, no interior goiano. “Eles estão aposentados e eu estou de férias, temos de aproveitar”, conta.

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