Estudante acha R$ 5 mil em ônibus e devolve à dona no DF: “Empatia”

Dinheiro poderia ajudar a jovem a pagar por uma cirurgia em um hospital particular, mas ela preferiu devolver a quantia para a proprietária

atualizado 08/12/2021 16:04

EstudanteMaterial cedido ao Metrópoles

A estudante Odara Luiza Marques Rodrigues Silva, de 22 anos, está na fila por uma cirurgia na rede pública de saúde do Distrito Federal. Diagnosticada com endometriose profunda, ela aguarda há oito meses pelo tratamento. Na segunda-feira (6/12), a jovem encontrou uma carteira com mais de R$ 5 mil, dentro de um ônibus. O dinheiro poderia ajudar a pagar pelo procedimento em um hospital privado. Mas, movida pela empatia, a moradora do Gama optou devolver o dinheiro à dona.

Boa ação:

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“Desde quando encontrei, eu sempre pensei em devolver o dinheiro. Decidi procurar a dona. Se eu não encontrasse, usaria para tentar pagar a minha cirurgia. Ainda mais nessa quantidade. Mas eu simpatizei pela perda dessa pessoa e procurei ela”, contou Odara. A mãe da estudante também encorajou a filha a encontrar e entregar de volta a quantia para a dona.

Ouça as palavras de Ivone:

Tudo começou na segunda-feira, por volta das 18h30. Odara estava a caminho do curso de Geologia na Asa Norte, dentro de um ônibus. Chovia intensamente naquele dia. Uma senhora desceu do veículo na via W3. Quando se preparava para desembarcar, a estudante notou uma carteira esquecida. “Era muito dinheiro. Fiquei até assustada”, lembrou. Além do dinheiro, havia dois cartões de crédito.

Com a ajuda de duas amigas, pesquisou os nomes para localizar a dona do dinheiro. Depois de muito esforço, chegou ao nome e telefone de Ivone Resende da Silva, operadora de caixa de 50 anos, moradora do Itapoã. Após uma breve ligação, marcou o encontro para a devolução do dinheiro nessa terça-feira (7/12), na Asa Norte. “Ela ficou muito feliz. Estava muito grata. Nem sabia como agradecer. Foi bem rápido. Fiquei até meio sem graça”, relatou.

Empatia

Mesmo sem data, a estudante aguarda pela cirurgia de endometriose, a princípio, no Hospital Regional de Ceilândia. “Não tem previsão ainda”, lamentou. A doença debilita a estudante e demanda medicação constante. “Não posso menstruar. Sinto dores e posso até desmaiar. E o remédio me deixa com enjoo, inchada e com o intestino preso”, detalhou.

Apesar da situação delicada, Odara considerou ser correto devolver o dinheiro para a legítima dona. “As pessoas precisam se colocar no lugar dos outros. Porque quando a gente perde algo, sempre espera achar. Se quando você encontrar algo devolver, facilitará muito a vida para todos”, pontuou.

Ivone explica que a chuva fez ela se atrapalhar. “Me preocupei mais com a sombrinha e não me atentei para a carteira”, relembra. O dinheiro estava contado e tinha destino certo: pagar faturas de supermercado. Após descer do ônibus, a operadora de caixa deu falta do dinheiro. Foi para a pista oposta da W3 e começou a parar os coletivos, perguntando pela carteira. Não teve sucesso.

“Pensei: o dinheiro já era. Tinha dado como perdido. As pessoas hoje em dia são muito más. Ainda nesse mundo que a gente vive com pandemia e todos estão com as contas apertadas. Não tenho palavras para agradecer Odara. Ela me surpreendeu muito. Oro a Deus por ela e pela mãe dela. É raro, mas ainda existem pessoas boas. Agradeço a Deus por ter tocado o coração delas para me devolver o dinheiro”, sorriu.

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