Polícia Civil indicia Eurípedes Júnior por agressões à filha

Ex-presidente do Pros é acusado dos crimes de "lesão corporal e exercício arbitrário das próprias razões" por ter chutado e mordido a jovem

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atualizado 14/01/2020 18:37

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) indiciou, nesta terça-feira (14/01/2020), o ex-presidente nacional do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) Eurípedes Júnior, acusado de agredir fisicamente a própria filha na sede da sigla, em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, em 8 de dezembro.

Eurípedes foi indiciado pelos crimes de “lesão corporal (violência doméstica) e exercício arbitrário das próprias razões”. Este último, segundo o Código Penal, é quando alguém “faz justiça pelas próprias mãos”.

No indiciamento, a corporação ressalta que “nos autos do relatório médico, são descritas lesões nos dedos e quadril da vítima, provocadas por dentes, pés e mãos do agressor”. O documento diz, ainda, que Eurípedes “utilizou de força indevida e bruta, agrediu e machucou a própria filha”.

A briga teria sido motivada por uma discussão entre pai e filha envolvendo um veículo em nome de Eurípedes. Na ocasião, ele chutou, deu tapas e mordeu a jovem, de 19 anos.

Em depoimento prestado na Delegacia de Planaltina de Goiás, a filha de Eurípedes afirmou que sua relação com o pai começou a ficar “conturbada” em 2017, quando ele se separou da mãe. Segundo relatou aos policiais, o político “parou de pagar sua faculdade e a demitiu do serviço”.

Em decorrência do episódio, os dois não se falaram por um ano, mas voltaram a ter contato em 2018. Na quarta-feira (08/01/2020), o presidente do Pros teria procurado a jovem pedindo que ela fosse à sede do partido, pois “precisava do carro dela e iria lhe pagar R$ 15 mil pelo veículo”.

A vítima narra que não aceitou a proposta do pai e, “para não brigar, se levantou e saiu”. Eurípedes, então, conforme consta no depoimento, teria tomado a chave da mão da filha e “passou a lhe dar tapas e pontapés”.

As agressões não teriam cessado nem quando ela conseguiu entrar no carro. Nesse momento, Eurípedes a teria puxado do veículo e a jogado no chão.

Em nota na época do caso, a defesa de Eurípedes Júnior creditou a denúncia a adversários políticos. Os advogados classificaram o episódio como “um lamentável incidente familiar”.

“Eurípedes financiou um carro para a filha que se comprometeu a ir pagando as prestações restantes. No entanto, em razão de a filha não ter pagado nenhuma das prestações, o pai a chamou para conversar e decidiu retomar o carro”, disse o advogado Bruno Pena.

Ainda segundo o defensor, “depois de perder o carro, a filha procurou a delegacia para registrar o fato em desfavor do próprio pai. É lamentável que um pai ao buscar corrigir a filha tenha um conflito familiar exposto na imprensa”.

Bruno Pena ressaltou que a defesa contribuiu em todas as fases da investigação a fim de dar celeridade à conclusão do inquérito. “Eurípedes abriu mão de ser ouvido para que o inquérito fosse concluído”, disse.

Segundo o defensor, caso esse indiciamento seja recebido pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e for feita denúncia à Justiça, a defesa se pronunciará em ação penal. “Se a ação ocorrer, poderemos exercer o direito do contraditório e ampla defesa, esclarecendo o caso e, enfim, comprovando a inocência do Eurípedes”, afirmou o advogado.

Destituição

No último sábado (11/01/2020), Eurípedes Júnior foi destituído da presidência do Pros após reunião do diretório nacional da sigla, em Brasília.

No site da legenda e publicamente, integrantes da legenda disseram ter aprovado medidas disciplinares previstas no estatuto. Para eles, a permanência de Eurípedes Júnior ficou “insustentável” após inquérito da Polícia Civil de Goiás que foi remetido à Justiça Federal, acusando o agora ex-presidente de desvio dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, além de lavagem de dinheiro.

Porém, a defesa do Pros não reconhece a decisão. Segundo o advogado Bruno Pena, um grupo de 20 pessoas fez essa reunião. “O partido tem 120 membros da diretoria e 40 suplentes, além dos filiados. Vinte pessoas não podem decidir por todos”, afirmou o advogado na tarde desta terça-feira ao Metrópoles.

Para Pena, Eurípedes ainda é presidente do Pros: “Até que a ata deles seja homologada em cartório e pelo Tribunal Superior Eleitoral, não tem validade”.

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