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O brasiliense que precisou abastecer o carro nesta sexta-feira (21/7) tomou um susto. Após uma semana de gasolina barata, chegando a R$ 2,94 em determinados postos, o petróleo sofreu um reajuste que elevou os valores nas bombas para até R$ 3,99 na capital do país. O aumento é fruto da decisão do governo federal de subir a alíquota do PIS e Cofins cobrada sobre os combustíveis. E a situação ainda pode piorar: segundo empresários ouvidos pelo Metrópoles, além de pesar no bolso de donos de veículos, a medida deve elevar os preços de diversos outros produtos.

O diagnóstico foi feito por diversos dirigentes de associações e câmaras comerciais ouvidos pela reportagem. De acordo com a maioria dos entrevistados, o combustível mais caro vai influenciar no preço do transporte de outras mercadorias, causando um acréscimo no valor que chega ao consumidor final.

“O aumento de imposto causará um efeito cascata, pois o nosso país gira em torno do transporte rodoviário”, afirma o presidente da Federação do Comércio do DF (Fecomércio-DF), Adelmir Santana.

De acordo com ele, não há como determinar agora o tamanho do impacto que o reajuste dos combustíveis terá no mercado, mas Santana garante que o resultado será negativo. “Não tenho como mensurar as consequências do aumento dos combustíveis na bomba, mas ele pega todo o setor produtivo e o consumidor”.

O discurso é corroborado pelo presidente da Associação Comercial do DF (ACDF), Cleber Pires. “Os combustíveis são matéria-prima para o desenvolvimento da economia e, quando se mexe na tarifa de um produto como esse, todo o mercado é afetado. Logo em um momento em que as pessoas estão lutando pela sobrevivência, essa medida deve atingir toda a cadeia produtiva do país”, afirma.


A Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem do Distrito Federal (CDL Jovem DF) afirma que o aumento do PIS e Cofins sobre a gasolina e o diesel impacta, além do custo dos combustíveis, o de transportes, que inevitavelmente recai sobre o valor final dos produtos. “O mercado começa a dar sinais de melhora e, em um momento como esse, o aumento de preços pode fazer com que caia o consumo e que o número de inadimplentes aumente”, defende o presidente da entidade, Raphael Paganini.

O único dirigente ouvido pela reportagem que teve um posicionamento diferente dos outros foi o diretor-executivo do Sindicato do Comércio Atacadista do Distrito Federal (Sindiatacadista-DF), Anderson Nunes. De acordo com ele, como a queda que ocorria no preço dos combustíveis desde a semana passada é recente, não chegou a ser repassada ao preço dos transportes de outros produtos. Por isso, o preço deve continuar o mesmo, opina Nunes.

“O governo agiu estrategicamente e aproveitou a baixa no valor dos combustíveis para arrecadar mais com impostos. Claro que quem já havia repassado a redução dos preços ao consumidor vai ter que fazer um reajuste. Mas a nossa percepção é de que esses casos não são maioria e, portanto, o preço do transporte de produtos deve permanecer igual”, afirma.

Críticas
Além da preocupação com o aumento nos custos de outros produtos, as entidades que representam o comércio também são unânimes ao criticar o aumento dos combustíveis ordenado pelo governo federal. De acordo com o presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana, “a sociedade não aprova esse tipo de medida. Não é aumentando receita que vamos resolver as coisas, mas com o corte de gastos públicos. O governo disse que não aumentaria os impostos, mas fez o contrário”, reclama.

Já o presidente da ACDF, Cleber Pires, diz que a entidade vê a medida com “muitas restrições e a certeza de impacto negativo”. “Em um momento no qual a economia brasileira já está estagnada, essa decisão afeta todo o país”, finaliza.

PIS e Cofins
O aumento das alíquotas dos impostos PIS e Cofins cobrado sobre os combustíveis foi anunciado nesta quinta-feira (20/7) pelo Ministério da Fazenda e entrou em vigor na sexta (21). Com o reajuste, o governo federal pretende arrecadar R$ 10,4 bilhões a mais para ajudar a combater o rombo no orçamento deste ano sem o comprometimento da meta fiscal.

A alíquota cobrada sobre a gasolina mais que dobrou, de R$ 0,3816 por litro para R$ 0,7925. Para o diesel, a taxa subiu de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 por litro. A taxa sobre o etanol foi a que teve menor aumento, de R$ 0,1200 por litro para R$ 0,1309.

 

 

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