Donos de pet shop sobre morte de Flock: “Fizemos tudo para salvá-lo”

Segundo casal de veterinários dono do estabelecimento, morte do cachorrinho foi uma fatalidade

atualizado 27/10/2021 9:41

FlockMaterial cedido ao Metrópoles

Os donos do pet shop onde morreu o cachorro Flock falaram pela primeira vez sobre o episódio. Ao Metrópoles, Luís Gustavo Ferreira Silveira, 44 anos, e Mariani Aparecida Silveira, 45, disseram que uma fatalidade resultou no óbito do animal, em 15 de setembro. Os dois são veterinários e contam ter feito de tudo para salvar a vida do cão da raça Spitz.

De acordo com Luís, o laudo produzido pela Universidade de Brasília (UnB) mostra que Flock tinha um problema respiratório causado por alterações congênitas. Na hora em que o cachorro passava pelo banho e tosa, teria feito um movimento brusco e caído do local onde era escovado por um funcionário da clínica Personal Dog. Em seguida, ele começou a passar mal.

“Quando foi fazer a escovação, ele tentou morder o rapaz por duas vezes. Na segunda vez, escorregou. Nem chegou a cair no chão e, imediatamente, o colaborador voltou com ele para a mesa, mas ele já estava desmaiado. Depois disso, correram para clínica e iniciamos os procedimentos”, comentou Luís Gustavo.

Logo na sequência, o próprio Luís Gustavo tentou salvar Flock, por mais de uma hora. Durante o socorro, a clínica tinha todos os equipamentos de emergência necessários, a exemplo de suporte ventilatório e monitoramento para animais em estado de choque. Por essa razão, o veterinário classifica o episódio como uma “fatalidade”. “Fizemos fazer de tudo para salvá-lo”, pontuou.

Sobre o laudo produzido pela UnB, o casal reforça os problemas pré-existentes de Flock. “Ele tinha um problema respiratório, causado por alterações congênitas, hereditárias. É a questão da hipoplasia traqueal, do colapso traqueal”, detalhou. Ao longo do tempo, conforme especialistas ouvidos pela reportagem, tal fator pode favorecer transtornos na respiração do animal. Tal condição pode ter contribuído para a asfixia de Flock.

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Segundo a clínica, o laudo também apresentou indícios de um “grande inchaço no baço de Flock”. O cachorro tinha quase 50% do órgão constituído por tecido fibrosado, cicatricial. O diagnóstico ainda apresenta a possibilidade de uma trombose. Para o veterinário, este é um sinal de possível problema circulatório. Por outro lado, Luís Gustavo não conseguiu decifrar a hemorragia na cavidade abdominal apontada no exame.

“Ele tinha uma deficiência respiratória e uma alteração grave na traqueia. A situação, segundo ele, pode levar a problemas pulmonares, circulatórios e cardíacos, como hipertensão. Conforme o veterinário, este tipo de condição é muito comum em cães micro, a exemplo da raça Spitz e Yorkshires.

“O Flock não sofreu nenhum tipo de maus-tratos, nem um tipo agressão, nenhum tipo de tratamento inadequado. Todo o tratamento que ele recebeu foi o adequado, que a gente dá para todos os cachorros. Infelizmente, o que ocorreu foi uma fatalidade”, reforçou Luís Gustavo.

O caso está em investigação pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Noite sem dormir

Desde a morte de Flock, Mariani não consegue dormir e nem se alimentar direito. Durante dias e noites de inquietação, perdeu três quilos. “Emocionalmente, eu não estou bem”, resumiu. Segundo a veterinária, todos animais atendidos pela clínica foram sempre tratados com o maior profissionalismo e carinho. “Temos 20 anos de empresa. Nunca aconteceu isso. Dávamos banho em 400 cachorros por mês e nunca aconteceu nada parecido”, desabafou.

O casal tem sido alvo de ataques de ódio nas redes sociais desde o episódio com Flock. Até ameaças de morte se tornaram frequentemente.

Além da higienização, o casal diz que sempre primou pela capacitação dos colaboradores. “Nós temos um checklist na empresa. Quando o animal chega, a gente pergunta para o proprietário se ele tem algum problema de saúde. Os clientes geralmente falam que não, mas muitas vezes não sabem”, comentou.

Desde a morte de Flock, o casal não conseguiu conversar diretamente com a tutora de Flock. “A gente sente muito pelo o que aconteceu. Foi uma fatalidade, infelizmente. A gente não quer que isso aconteça para ninguém. Queremos que a Larissa saiba que tentamos fazer tudo para salvar o Flock”.

Mariani também reforçou que os cuidados com o cão: “O animal dela não foi maltratado em nenhum momento. Muito pelo contrário. Ele sempre foi muito bem cuidado. Tudo que a gente pode fazer, nós fizemos”. Segundo o casal, após o episódio, a clínica está reforçando as práticas e os protocolos de segurança.

Procurados pela reportagem, os tutores do Flock alegaram um grande desgaste emocional com a situação. Afirmaram que já se manifestaram o suficiente sobre o ocorrido e, agora, preferem aguardar a conclusão de todo trabalho policial para a apuração das responsabilidades cabíveis.

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